A Logomarca RFFSA

As ferrovias do mundo inteiro possuem seus próprios símbolos, quer sejam expostos em cada unidade do material rodante, como os Carros, Vagões e Locomotivas.

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Além dessa característica “móvel”, os “imóveis também são contemplados, como nas edificações patrimoniais, nos uniformes os mais diversificados de seus vários colaboradores em diferentes funções, estejam esses sobre os trilhos ou nas repartiçõese ainda:

Impressos diversos como ofícios, envelopes e demais consumíveis em papel, além das assinaturas de campanhas publicitárias, anúncios institucionais e quando participam colaborativamente nos apoios culturais.

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O símbolo (logomarca) da R.F.F.S.A., acrônimo para Rede Ferroviária Federal S/A, surgiu no ano de 1972, por ocasião de um concurso público realizado especificamente para a escolha de sua futura marca.

Um detalhe importante e até então inédito, é que a autarquia restringiu a participação aos estudantes regularmente matriculados em instituições de ensino, dos níveis Secundário e Superior.

A empresa pública pretendia com isto, como rezava seu Edital, “despertar a juventude estudiosa para a importância de uma empresa tão vinculada à economia e à segurança da nação”, além de “estimular a criatividade dos jovens iniciantes no design, deles colhendo concreta colaboração, para perdurar, no tempo, como exemplo válido às futuras gerações”.

A iniciativa da RFFSA foi bem acolhida pela imprensa e à época, despertou interesse de 300 estudantes que enviaram suas concepções gráficas.

Isso possibilitou à Comissão Julgadora de então (integrada por Antonio F. Porto Sobrinho, Mario Ritter Nunes e Armando Britto), selecionarem entre os trabalhos de alto nível técnico apresentado, eleger aquela que daria o real significado como ícone ferroviário.

Uma identidade que fosse capaz de agradar a visão, assegurar a visibilidade com sua consequente leitura, evocar elementos físicos da empresa, além de facilidades de reprodução, ampliação e redução da marca, incluindo baixo custo e economia, por conta dessas reproduções em suportes diversificados.

Dentre os 300 projetos de design gráfico inscritos, foram pré-selecionados 11 concepções originais, que mais evidenciavam criatividade para os fins aos quais se destinavam, tendo sido selecionados 3 concorrentes premiados, sendo:
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3º Lugar … Arthur Carlos Messina
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2º Lugar … Joaquim de Salles Redig de Campos
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1º Lugar … Leiko Hana
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Messina, é hoje um arquiteto e dos bons, atuando São Paulo (SP), através do CADES – Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Redig é pioneiro em design no Brasil, ingressando na ESDI (UERJ) em 1968 e atuando ao lado de Aloísio Magalhâes por mais de 18 anos. Hoje, atua como professor da PUC-RJ desde 1975 e tem o seu estúdio, REDIG ASSOCIADOS.

Leiko Hana, à época uma aluna, assim como seus colegas concorrentes, se tornaria em breve uma arquiteta pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie, em São Paulo (SP).

Segundo seu memorial Descritivo, o trabalho partiu de um elemento comum e predominante no tráfego ferroviário, ou seja, a figuração de um A.M.V. (desvio) definindo uma variante, constituindo-se num visual dos mais recorrentes nas vias férreas, além de transmitir noções de desejável dinamismo, à primeira vista.

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A construção gráfica proposta pela arquiteta é executada, como convinha àquele momento histórico do design, a partir duma trama ortogonal de 9 módulos (9×9).

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Inicia-se traçando as barras horizontais (“trilhos”), formando dois retângulos sobrepostos (módulos 0+1H e 2+3H).

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Define-se um eixo pela intersecção dos módulos 8 Vertical, com o 9 Horizontal.

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Determinando esse ponto (8V+9H) como eixo, traçam-se 4 semi-círculos (raios) até o módulo 5 Horizontal (5H).

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Todo o traçado (recomendava a arquiteta), deverá ser feito com traço fino, para que as medidas gerais do símbolo e dos “espaços vazios”, sejam idênticos.

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Esse símbolo (hoje, LOGOMARCA), se completa com o acrônimo RFFSA* sem os pontos, possibilitando a identificação de todo um sistema ferroviário continental, que viria à se tornar uma das maiores ferrovias contínuas do mundo, onde a logomarca auxiliaria o seu progresso econômico, material e de imagem memorial, perante o grande público.

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Não fosse o sucateamento, com mais de 30 anos de falta de investimentos, sem dúvidas, essa logomarca da RFFSA sera um dos ícones mais precisos de sua particular semiótica, no entanto, ao menos já entrou definitivamente para a galeria da história fascinante do EXCELENTE nível que o design brasileiro atinge.
CURIOSIDADE:
A dupla de irmãos gaúchos Kleiton e Kledir “homenageou” a Rede Ferroviária Federal citando a estatal na música “Maria Fumaça”, composição gravada em 1980 para o Festival de Música da TV Tupi (em um dos últimos momentos da histórica emissora, falida ainda naquele ano), que se tornou grande sucesso durante o evento. A música mais tarde foi incluída no LP de estréia, que leva o nome da dupla, lançado também em 1980 (₢ Wikipedia).
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*PS: A sigla é pronunciada como “ÉRRI-ÉFI-ÉFI-ÉCIÁ”, mas, para muitos de seus funcionários, a hoje extinta RFFSA também era apelidada carinhosamente pelos ferroviários como “REFÉSA”.

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.Postado originalmente no Blog Logomarcas por Christian Steagall-Condé em 21.4.2009 às 22:10.

 

Fonte e transcrição do Blog Logomarcas – http://thesignstudio.blogspot.com.br/2009/04/rffsa.html – acessado em 22.2.2016

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