Caatinga (PELD, UFPE)

A Caatinga é o único Bioma exclusivamente brasileiro e certamente é um dos mais alterados pelas atividades humanas nos últimos séculos, (Almeida et al., 2009). Segundo o Ministério do Meio Ambiente-MMA (2003) é um ecossistema extremamente heterogêneo e inclui pelo menos uma centena de diferentes tipos de paisagens únicas.

Este bioma é típico do semiárido, resistente a secas e rico em recursos naturais. Localiza-se em uma das mais populosas regiões semiáridas do mundo e encontra-se em uma das áreas mais pobre do país, possuindo em seu entorno aproximadamente 28 milhões de habitantes. Diante da situação de pobreza e falta de acesso a políticas sociais adequadas a população pobre acaba exploração esse recurso natural de forma desordenada e insustentável. Assim, o bioma é explorado irracionalmente e essas explorações têm causado grandes impactos ambientais, sociais e econômicos transformando a população cada vez mais pobre e necessitada.

A Caatinga é o tipo de vegetação que cobre a maior parte da área com clima semiárido da região Nordeste do Brasil. Naturalmente, as plantas não têm características uniformes e os fatores ambientais são determinantes para definir essas características, e dentre esses fatores, o clima é considerado preponderante. Historicamente a região Nordeste sempre foi afetada por grandes secas ou grandes cheias. No semiárido nordestino, essa variabilidade climática, em particular as situações de seca, representa dificuldades para populações rurais do interior da região. Acredita-se que a vegetação nativa obedeça a uma dinâmica de expansão e retração, apresentando períodos de “exuberância” nas chuvas e de “dormência“ nas secas. Entretanto, pouco se conhece sobre essa dinâmica. (MMA, 2003).

A Caatinga, que possui uma fauna e flora com grande diversidade de espécies, há séculos tem sido submetida a um intenso processo de ocupação, na maioria das vezes promovida de modo a gerar grandes impactos ambientais.

Em meados da década de 80 havia mais de 4.500.000 ha com plantas de algodão, 80% dos quais concentrados no Semiárido brasileiro. Em virtude de questões econômicas, a ocorrência da praga do bicudo e políticas de governo ineficazes, o cultivo dessa cultura foi praticamente dizimado. As consequências sociais desse processo ainda hoje são sentidos, e uma grande pressão pelo uso da madeira existente na Caatinga tem provocado grandes modificações na cobertura vegetal, com impactos intensos no clima local.

Estudos mais recentes destacam que o Semiárido brasileiro será a região do País mais afetada pelas mudanças climáticas, com possibilidade de aumento na temperatura do ar de 2 a 4°C até o final deste século, e substanciais reduções na precipitação pluviométrica (Marengo et al., 2010). Embora as incertezas dos modelos climáticos empregados na previsão de tais cenários não sejam ainda bem conhecidas, muitos cientistas acreditam que as intervenções na busca de redução das emissões de gases do efeito estufa, e muitas outras medidas mitigadoras, devem ser imediatamente postas em prática. Nesse sentido, a resiliência desse importante bioma às oscilações climáticas atuais ainda não foi devidamente investigada e diferenciações marcantes entre áreas de Caatinga antropizada e preservada devem ser apoiadas com urgência.

Muitos estudos têm evidenciado que a matéria seca acumulada em dado bioma pode ser obtido em função da fração da radiação fotossintética absorvida e a radiação solar incidente, acumulados em dado intervalo de tempo. Nesse sentido, alguns estudos têm demonstrado ser possível obter a quantidade de carbono seqüestrado da atmosfera por meio de estimativas da eficiência de uso da luz e componentes da energia, com imagens orbitais (Namayanga, 2002; Bastianssen & Ali, 2003).

Os biomas de regiões semiáridas são dos mais vulneráveis às mudanças climáticas globais associadas aos efeitos de aquecimento global induzido pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. Em paralelo, o crescimento populacional tem induzido uma expansão das fronteiras agrícolas sobre áreas de biomas nativos.

A variação espacial e temporal das condições da vegetação e da dinâmica dos ecossistemas pode ser monitorada por imagens de sensoriamento remoto, utilizando índice de vegetação espectral, (Perry & Lautenschlager, 1984; Cohen,1991). O índice de vegetação por diferença normalizada além de possibilitar o estudo da dinâmica do ecossistema, também pode ser utilizado nos estudos de mudanças do uso da terra, desertificação e processos de mudanças climáticas em escala regional e global, (Karnieli et al., 1996).

O monitoramento da superfície da terra em longa escala de tempo é necessário para descrever a resposta do ecossistema as variabilidades climáticas e antrópicas. Ecossistemas semiárido e áridos são os únicos ambientes fácies de detecção de mudanças da cobertura da terra devido à variação climática, isso porque à água é um fator limitante desse ecossistema, (Weiss et al., 2004).

O Sensoriamento remoto tem se caracterizado como um instrumento para o planejamento e monitoramento dos recursos naturais. A radiação eletromagnética incidente sobre a vegetação e o solo é parcialmente absorvida e refletida. A parte que é refletida pode ser captada por um espectroradiômetro que caracteriza a resposta espectral da vegetação e do solo.

 


 

O Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cinentífico e Tecnológico (CNPq) tem como missão promover a organização / consolidação do conhecimento existente sobre a composição e funcionamento dos ecossistemas brasileiros, gerando ferramentas e informações para avaliar sua diversidade biológica. É um programa de pesquisa ecológica induzida, cuja execução está centrada numa rede de “sítios selecionados” representativos de vários ecossistemas brasileiros. O PELD está vinculado ao Programa Integrado de Ecologia (PIE) e teve sua aprovação pelo Fórum Nacional de Coordenadores de Cursos de Pós-graduação em ecologia e pelo presidente do CNPq em março de 1996.


 

 

Fonte:  transcrição do site Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa Duração (PELD), da Universidade Federal de Pernambuco – link acessado em 2.1.2015:  https://www.ufpe.br/sercaatinga/index.php?option=com_content&view=article&id=300&Itemid=175

 

 

 

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