Os telégrafos foram instrumento importante de comunicação nas ferrovias. Se formos pensar na ordem em que apareceram, os telegramas foram o avô dos emails, e os fax foram o pai.
No passado, antes do surgimento de meios mais modernos de comunicação, as estações falavam entre si com a ajuda do telégrafo. Isso era importante especialmente por razões de segurança.
Para não haver dois trens na mesma linha, um indo na direção do outro, os trens só podiam seguir viagem com a devida licença.
O licenciamento (autorização de viagem) dos trens era combinado entre uma estação e outra com a ajuda do telégrafo.

Em algumas cidades, quando ainda não eram servidas pelos Correios, os telégrafos das ferrovias também atendiam à população local.   Muito utilizado  para passar telegramas de transações comerciais, notícias familiares alegres ou tristes, como o falecimento de um ente querido ou o nascimento de uma criança.

Em Caculé a Sala do Telégrafo estava instalada dentro da Estação e e havia um telégrafo também nos Correios.
Os postes, alguns ainda estão à margem da ferrovia, foram fabricados em aço.
Infelizmente não sabemos onde estão os equipamentos.

 

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Telégrafo

.

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Poste do Telégrafo, defronte à Estação Ferroviária de Caculé  (em 15.7.2917 – foto de Thomas Sachsse )

 

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Poste do Telégrafo, linha sentido Rio do Antonio, Km 714 +   (em 23.7.2017 – foto de Thomas Sachsse)

 

 

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Telégrafo no Museu Ferroviário de Juiz de Fora, MG   [12]

 

 

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Vagão da RFFSA usado para transportar serviços de Correios e Telégrafo  [3].   Em Sergipe esse vagão também era utilizado na cor azul.

” O telégrafo no Brasil
A primeira linha telegráfica foi instalada entre o Campo da Aclamação (atual Campo de
Santana) e o Paço de São Cristóvão, na cidade do Rio de Janeiro, inaugurada em 11 de maio de 1852. Sob o pretexto de combater o tráfico de escravos, que efetivamente já havia terminado, os poucos aparelhos telegráficos comprados na Europa e instalados em repartições públicas, quartéis de polícia e bombeiro, tiveram uso bastante limitado. Em 1857, foi instalada uma linha entre a Corte e Petrópolis. Anos se passaram sem que houvesse expansão das linhas telegráficas.
A guerra do Paraguai foi a grande propulsora do telégrafo no Brasil, em particular, porque
pela primeira vez o governo brasileiro utilizou o aparelho como um instrumento de comunicação à distância. Com o evento bélico, uma linha foi extendida da Corte e o front, entre 1865 e 1866.
Para se ter uma dimensão do impacto da guerra nos telégrafos, a extensão das linhas telegráficas passou de 65 km para pouco mais de 2.000km. [SILVA, 2007]
Com o fim da guerra, as linhas telegráficas construídas pela Repartição Geral dos
Telégrafos (RGT) se dirigiram para o norte, para integração das regiões e controle central do governo. Foram inauguradas estações em todas as capitais e principais cidades litorâneas entre a Corte do Rio de Janeiro e Maceió, em 1874; até a Paraíba, em 1875; no Rio Grande do Norte, em 1876; e no Maranhão, em 1884.
Durante o império, todas as capitais do litoral estavam interligadas via telégrafo, apenas as
Províncias do Mato Grosso, Goiás e Amazonas não possuíam comunicação telegráfica. [SILVA, 2003]

A Contribuição
Até o fim do império, os telégrafos das companhias de EF não foram percebidos pelo
governo como um potencial corrente. A percepção mudou com o início da república. Com tarifas inferiores a 50% das cobradas pela RGT, os telégrafos das companhias de EF passaram a representar uma preocupação para a RGT na disputa pelo tráfego telegráfico no interior do país.
Desde 1870, pelo decreto no . 4653, as companhias de EF deveriam ter um fio telegráfico
exclusivo para o governo. Essa determinação nunca fora cumprida com rigor, pela resistência apresentada pelos diretores das EF. Entretanto, há exemplo de cessão de linha feita à RGT, como a linha que ligava a Capital Federal a Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), em Minas Gerais, na qual a RGT utilizava um fio da EF DPII para suas transmissões. O inconveniente para RGT era que a administração da EF DPII não admitia intervenção no serviço de fiscalização das linhas.

Para BAPTISTA, [1889-90, 33], não se podia garantir um bom serviço nessa linha, em função dessa medida.
Vendo os telegramas seguirem preferencialmente pelas linhas dessas companhias e sem
ter como enfrentá-las comercialmente, o governo federal passou a pressionar as companhias para assinarem acordos de tráfego mútuo. Estes, foram fechados separadamente entre a RGT e cada uma das companhias de EF, que passava a cobrar os valores estipulados pela RGT8.
O principal objetivo da RGT com os acordos de tráfego mútuo era eliminar a concorrência. Sem dispêndio para os cofres públicos, o tráfego mútuo permitiu, em 1902, a  correspondência telegráfica entre 539 localidades esparsas no interior do Brasil. Financeiramente, o tráfego mútuo era pouco volumoso, representava no início do século XX apenas 2% do tráfego nas linhas da RGT, à época superior a 1.300.000 telegramas. Embora diminutos, os números envolvidos no tráfego mútuo produziram para o Governo e a RGT efeitos significativos. Para o primeiro, garantia um poderoso meio de comunicação sob controle do Estado, e a segunda, atender a um número de localidades muito superior ao que chegavam suas linhas.
Em 1906, os acordos de tráfego mútuo atingiam 33 estradas de ferro. [SILVA, 2008]
Em 1908, eram 35 estradas de ferro em tráfego mútuo com a RGT, compreendendo 1.342 estações. Nesse ano, havia 16.164 km de linhas telegráficas das companhias de EF em tráfego mútuo contra 2.151 km sem tráfego mútuo [tabela 1].

TABELA 1 – Estações telegráficas instaladas no Brasil em 1907 [BRASIL, Memória Histórica, 1907].

Companhia:  /  Número de Estações:
Repartição Geral dos Telégrafos : 523
Estradas de ferro em tráfego mútuo :  1.342
Total 1.865

Com os acordos de tráfego mútuo, algumas estações telegráficas da RGT puderam ser
desativadas por atenderem as mesmas localidades já atendidas pelas companhias de EF. Segundo o relatório do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, em 1908, “além de facilitar as comunicações telegráficas, veio por a termo a concorrência feita pelas estradas as linhas de União”. [BRASIL, 1908]

Conclusão
As ferrovias surgiram por interesses econômicos privados, com fins comerciais e
investimentos estrangeiros. Expandiram-se para o interior em busca das safras de café e,
posteriormente, para desbravar os sertões. Os telégrafos foram construídos pelo governo, com finalidade essencialmente política, instalando-se principalmente no litoral e interligando as capitais. Através dos acordos de tráfego mútuo, as ferrovias deram uma contribuição inestimável à comunicação telegráfica. Possibilitaram alcançar lugares que dificilmente seriam atendidos pelas linhas da RGT, integrando-os a rede telegráfica nacional.”    [4]

 


” No Segundo Reinado, que se estendeu de 1840 a 1889, o Brasil era caracterizado e composto por uma sociedade essencialmente rural e com mão-de-obra escrava, com uma política conservadora e 85% de sua população analfabeta.
Algumas invenções inovaram o jornalismo da época, como a fotografia (que facilitava a recepção de notícias para aqueles que não sabiam ler), as ferrovias (que facilitaram a distribuição de jornais) e o telégrafo. A primeira banca de jornal surgiu ainda no século XIX, o que contribuiu juntamente para com as invenções para um novo momento do jornalismo no Brasil.
p/ Mariana Moraes”   [9]

”   No decorrer do século XIX, muitas tecnologias que já existiam no Europa e nos Estados Unidos chegaram ao Brasil. A fotografia, por exemplo, além de servir para a memória da Família Real, passou a documentar eventos ocorridos e a estampar jornais. Com uma foto era possível provar um acontecimento e também informar os analfabetos.
Durante o Segundo Reinado o alcance dos telégrafos evoluiu e cabos subaquáticos transmitiam informações de Londres para o Brasil e vice-versa. As ferrovias também cresceram e serviam tanto para o transporte de pessoas quanto de jornais. Com essas tecnologias as notícias eram atualizadas muito mais rápido e com as bancas de jornais a informação estava mais acessível à população.
p/ Giulia Belló”   [9]

 


Fontes e Referências:

[1]   site Portal do Trem – http://www.portaldotrem.com.br/saladotelegrafo.html – acessado em 30.5.2016

[2]   site do Museu Ferroviário de Juiz de Fora, MG – Fundação Alfredo Ferreira Lage  – – https://www.pjf.mg.gov.br/administracao_indireta/funalfa/museus/assim.php – acessado em 30.5.2016

[3]   site Amantes da Ferrovia  – http://www.amantesdaferrovia.com.br/photo/424240-3972880993687-332146248-n  –  acessado em 29.5.2016

[4]   trabalho do Prof. Doutor Mauro Costa da Silva  – A CONTRIBUIÇÃO DAS FERROVIAS NA COMUNICAÇÃO NO INÍCIO DA REPÚBLICA NO BRASIL  –  http://www.hcte.ufrj.br/downloads/sh/sh3/trabalhos/Mauro%20Costa%20da%20Silva.pdf – acessado em 30.5.2016

[5]   site da Rádio Vitória AM, Videira/SC – – http://www.radiovitoriaam.com.br/noticias/social/2063/morre-ex-ferroviario-telegrafista-ivandir-antunes-dos-santos.html  – acessado em 30.5.2016

[6]   site Resumo e Trabalhos – Transformações da empresa a partir de 1850: Ferrovias e empresas de distribuição – http://www.resumosetrabalhos.com.br/transformacoes-da-empresa-a-partir-de-1850-ferrovias-e-empresas-de-distribuicao.html  –  acessado em 30.5.2016

[7]   video no Youtube- Senhor Jovenildo fazendo demonstração do telégrafo, sua antiga profissão. Museu da Estação Ferroviária de Santo Ângelo / RS  – https://www.youtube.com/watch?v=uUua5hkAhWM  –  acessado em 29.5.2016

[8]   site As Histórias Comunicam da Faculdade de Jornalismo da UFOP – http://www.jornalismo.ufop.br/ahistoriacomunica/?p=100  –  acessado em 30.5.2016

[9]   site História da Imprensa no Brasil  – https://historiaimprensabrasil.wordpress.com/tag/telegrafo/  – acessado em 30.5.2016

[10]  site Baú de História, texto Nos Trilhos da Nostalgia  –  http://metropole.rac.com.br/_conteudo/2014/05/colunistas/bau_de_historias/177319-nos-trilhos-da-nostalgia.html  –  acessado em 30.5.2016

[11]  blog Ibiá em Foco – página Museu Ferroviário de Ibiá  –  http://ibiaemfoco.blogspot.com.br/p/museu-ferroviario-de-ibia.html  –  acessado em 30.5.2016

[12]   blog  O Trem Expresso – página: ESTAÇÃO JUIZ DE FORA – Hoje, um belíssimo Museu Ferroviário  –  http://otremexpresso.blogspot.com.br/2016/06/estacao-juiz-de-fora-hoje-um-belissimo.html  –  acessado em 7.10.2016

 

 

 

 

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