Entrevista com Dona Rosinha

Os alunos da UNINTER – Centro Universitário, Polo Caculé,  realizaram um trabalho acadêmico sobre Bens Culturais Imateriais;  apresentado no Cine-Teatro Eng. Dórea.
Rosa Maria dos Santos Alves  ou, carinhosamente, Dona Rosinha é artista circense e fundadora do Grupo de Quadrilha Buscapé.

Neste vídeo, resumo de 10min da entrevista, Dona Rosinha conta sua história, como chegou à Caculé, e sua relação com a cultura da cidade.


Fonte:
[1]  Video no Youtube dos alunos da Uninter, Polo Caculé  –  https://youtu.be/oOJ4utpPbn4  –  acessado em 1.10.2016

 

 

 

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Moraes Moreira

Moraes Moreira começou tocando sanfona de doze baixos em festas de São João e outros eventos de Ituaçu, o “Portal da Chapada Diamantina”. Na adolescência aprendeu a tocar violão, enquanto fazia curso de ciências em Caculé, Bahia. Mudou-se para Salvador e lá conheceu Tom Zé, e também entrou em contato com o rock n’ roll. Mais tarde, ao conhecer Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão, formou o conjunto Novos Baianos, onde ficou de 1969 até 1975. Juntamente com Luiz Galvão, foi compositor de quase todas as canções do Grupo.[1] O álbum Acabou Chorare, lançado pela banda em 1972, foi considerado pela revista Roling Stone Brasil[2] um dos 100 melhores álbuns da história da música brasileira. Moraes Moreira possui 40 discos gravados, entre Novos Baianos, Trio Elétrico Dodô e Osmar e ainda dois discos em parceria com o guitarrista Pepeu Gomes. Moraes se enquadra entre um dos mais versáteis compositores do Brasil, misturando ritmos como frevo, baião, rock, samba, choro e até mesmo música erudita.

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Saiu em carreira solo no ano de 1975, e desde então já lançou mais de 20 discos. Na sua carreira solo, destacou-se como o primeiro cantor de trio elétrico, cantando no Trio de Dodô e Osmar, e lançou diversos sucessos de músicas de carnaval, no que se convencionou chamar de “frevo trieletrizado”. Alguns dos sucessos dessa fase são “Pombo Correio”, “Vassourinha Elétrica” e “Bloco do Prazer”, dentre outras.

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“Tudo começou em Ituaçu, cidade do sertão baiano, onde nasci. Ainda criança, já era despertado pelo som das bandas de música, pelas madrugadas que antecediam a festa da Padroeira. Eram as alvoradas. Tubas, trompas, trompetes, clarinetes e plautins no toque da caixa, lindos dobrados rompendo o silêncio, entrando em meu sonho. Fogos de artifício explodiam no ar. Logo corria pra rua, e atrás da banda andava e admirava todos aqueles instrumentos e seus sons maravilhosos. A Lira e a Jandira, duas bandas que completavam a alegria da cidade. Bandas que passaram dentro de mim.

À medida que ia crescendo, crescia também o interesse pela música. Ganhei da minha irmã uma sanfona de doze baixos, meu primeiro instrumento, e em pouco tempo de aprendizado já dava para animar festas de São João, batizados e casamentos. Meu professor foi Fidélis, o melhor sanfoneiro da região. Nessa época, se encontrava preso, cumprindo pena por crime cometido na Gruta da Mangabeira. Eu ia visitá-lo em sua cela, enquanto ele me ensinava um pouco dos conhecimentos de sanfoneiro.

 

Com 16 anos de idade, concluí o ginasial em Ituaçu. Para continuar os estudos, fui para Caculé, cidade vizinha onde havia o curso científico.
Chegando lá, logo fiquei conhecendo dois bons violonistas que me ensinaram os primeiros acordes. Me apaixonei pelo instrumento. Mestre Dadula era um deles, do qual eu ouvi duas frases que jamais esqueci: “Violão não tem fim” e “Afinar é mais difícil que tocar”. O outro era Arnunice, colega de colégio com quem aprendi muita coisa. Tocávamos juntos em festivais, bailes e serenatas.

Três anos em Calulé, terminei o curso científico e adquiri, nesse espaço de tempo, um conhecimento razoável de violão. Parti para Salvador, onde deveria prestar exame de vestibular para Medicina. Senti, nesse momento, que já estava bem mais pra música. Ingressei no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia e mesmo não encontrando vaga para estudar violão, topei fazer o curso de percussão, pois meu objetivo era conhecer pessoas e penetrar no meio musical de Salvador. Foi aí que encontrei Tom Zé, grande compositor baiano, que ensinava violão no Seminário, e com ele estudei cifras e composição. Este foi meu primeiro contato com a música; até então eu só tocava de ouvido.

 


 

De lá para cá, são mais de 30 anos de estrada, entre Novos Baianos e carreira solo. Isso sem falar nas músicas gravadas por grandes artistas da MPB.

O violão tem sido o companheiro inseparável, o parceiro de sempre.”

 

Fonte:  site oficial de Moraes Moreira – http://moraesmoreira.com.br/historia/ – acessado em 25.2.2016

 

 

 

Os Revoltosos de 1926

Os Revoltosos
Autor: Adalberto Prates
Brumado – Bahia

Essa história era contada pela minha avó. Até hoje lembro de cada detalhe que ela me dizia.

Foi a passagem da Coluna Prestes pelos interiores da Bahia onde deixou marcas profundas. Decorridos 70 anos, ainda povoa as lembranças dos povos mais antigos, a minha avó nessa época tinha 12 anos e para ela a Coluna Prestes significava muitos homens barbudos, lutando contra o governo, montados a cavalo, armados, lenço vermelho no pescoço, carentes de banho e roupa limpa, com sotaque esquisito, dispostos a tudo, sempre escapulindo, quebrando o sossego de todos, levando as montarias que encontravam, carneando bois e cabras com incrível agilidade, para churrascos apressados, dando maiores prejuízos. Cidades abandonadas às pressas, gente escondendo seus pertences. Mulheres chorando, pedindo aos santos, crianças excitadas com reboliço, homens corajosos prometendo resistir, alguns recebendo dinheiro, armas e patentes do governo para combater. Essas grandes agitações foi entre 1925 e 1926.

Um dia no sítio da minha bisavó estavam todos trabalhando no engenho de cana-de-acúçar e ficaram sabendo que os revoltosos estavam por aquela região e que todos do povoado estavam fugindo, meu bisavô resolveu fugir também, só que para minha bisavó não era necessário sair de casa e o que ela poderia fazer é rezar para seus santos.

Mais tarde da noite ela começou ouvir sons de harmônica ( mais conhecida como sanfona) e muitos homens com bandeiras e todos de lenço vermelho no pescoço, minha avó gritou: são os revoltosos e eles estão lá no engenho, eu só lembro ela dizendo que seu pai ficou apavorado e começou a arrumar as coisas para fugir, só que os revoltosos avistaram as luzes da casa e foram lá e bateram a porta, minha avó entrou no baú e sua mãe foi abrir, os homens estavam com muita fome e pediu comida. Ela preparou a janta, mais veio falar com ela uma mulher vestida de homem dizendo que gostaria de passar a noite e que não iria fazer nada com eles e acabaram passando a noite por lá.

Logo cedo foram embora e de agradecimento lhe deu tecidos de seda e joias para minha bisavó. Mais não aconteceu a mesma coisa com seu irmão, pois ele fugiu levando sua família e seus pertences de valor, quando voltou para casa os revoltosos tinha posto fogo em tudo para eles não havia mais nada de valor.

Como diziam minha avó: ” eles eram heróis e vilões fascinam e metem medo, encantam uns, apavoram outros, provocando contorvérsias sem fim.”

Pessoas que viveram essa história
Nome da bisavó: Estefânia Rodrigues Alves (i.m)
Nome do bisavô: João Galvão Alves (i.m.)
Nome da pessoa que contava essa história Maria Rodrigues Alves de Azevedo minha avó.( i.m.)

Fonte e transcrição: blog “Recanto das Letras”, acessado em 31.12.2015  – link:  http://www.recantodasletras.com.br/artigos/4218306