Migrantes em São Paulo

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios.

aniversario-de-sao-paulo

Em 25.1.2016, São Paulo comemora 462 anos de sua fundação!

 

Para entender melhor os contrastes e o emaranhado de culturas que povoam o Estado de São Paulo não dá para deixar de falar da migração. Aqui o turista mais desavisado se surpreende com a estranha união do feijão-de-corda com o pão-de-queijo que, por sua vez, convivem em total harmonia com o forró e a música sertaneja. Tudo isso regado a um bom churrasco com chimarrão. É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios. O rápido desenvolvimento da região, a oportunidade de emprego e o sonho de uma vida melhor fizeram dessa terra o que é hoje: uma Torre de Babel. Em estatística feita em 1959 constatou-se que o processo migratório para São Paulo começou em 1901. Naquele primeiro ano, o registro de entrada de nacionais no Estado de São Paulo apontou 1.434 pessoas. No mesmo período, o número de estrangeiros aportados em São Paulo foi de 70.348 pessoas. Foi em 1923 que teve início a intensificação do fluxo de nordestinos, mineiros e fluminenses para São Paulo.

Em 1935, o governo de Armando Salles de Oliveira decidiu estimular a migração para São Paulo, com o objetivo de suprir a lavoura de mão-de-obra. Por iniciativa daquele governo foi estipulada, pelo sistema de contratos com companhias particulares, a introdução de trabalhadores mediante a seguinte subvenção: pagamento de passagem, bagagem e um pequeno salário para a família. As firmas contratadas pelo governo para trazer trabalhadores de outros Estados passaram a operar com afinco no Nordeste do país e no Norte do Estado de Minas Gerais. Em 1939 o Departamento de Imigração e Colonização foi reorganizado e criou-se a Inspetoria de Trabalhadores Migrantes com a finalidade de substituir as firmas particulares no serviço de migração subsidiada. Quando as famílias chegavam a São Paulo eram recebidas na Hospedaria do Imigrante e daí distribuídas pelo Estado. Com o estímulo dado pelo governo, as entradas passaram a ser maciças, atingindo em 1939 a casa dos 100 mil.

Durante o período de 1941 a 1949 só o Departamento de Imigração e Colonização de São Paulo encaminhou à lavoura do Estado 399.937 trabalhadores procedentes de outros Estados do Brasil. Nesta época, na Europa acontecia a II Guerra Mundial e a imigração de europeus reduziu drasticamente. Os 12 municípios que maior número de migrantes receberam (399.927) foram Presidente Prudente, Rancharia, Marília, Martinópolis, Andradina, Presidente Venceslau, Santo Anastácio, Pompéia, Valparaiso, Araçatuba e Presidente Bernardes. Mas foi nas décadas de 1950 e 1960 que se verifica a efetiva industrialização do Estado e a conseqüente abertura de um mercado de trabalho de dimensões amplas, uma vez que o processo de crescimento industrial, por seus efeitos multiplicadores levou também a uma substancial ampliação do setor terciário. A migração em 1950 apresentava o seguinte quadro: Minas Gerais contribuiu com quase 50% do fluxo. A Bahia é o Estado que mais contribuiu depois de Minas Gerais, com 17,56% do fluxo. Somente estes dois Estados representavam 65,04% do fluxo. Migrantes de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí representavam menos de 15%.

O fato de Minas Gerais ser um Estado vizinho de São Paulo, é um motivo a mais a determinar o grande fluxo migratório. O aumento do peso da migração vinda do Nordeste é em grande parte devido às secas que atingiram a região na década de 1950. Outro fator determinante foi a conclusão da Estrada Rio-Bahia em 1949, o que veio facilitar bastante essa migração. Foi por esta rodovia que surgiu o “pau-de-arara”, transporte de migrantes feito por caminhões de carga, precariamente adaptados para o transporte de seres humanos. Os migrantes se espalharam por todo o Estado, mas a Região Metropolitana de São Paulo apresentou-se como a mais importante área de atração populacional do Estado, tendo as migrações contribuído com 56,6% do crescimento da população da região no período 1960-1970.

O aparecimento do complexo industrial da Região da Grande São Paulo deu-se sobretudo a partir da Segunda-Guerra Mundial, e de forma mais acentuada durante e após a década de 1950, quando o processo de substituição de importações surgiu como um dos fatores principais do desenvolvimento industrial da região.

Com o passar dos anos, a migração foi diminuindo. Nos anos 60, chegavam à cidade 128 mil migrantes por ano, a partir de 1980 a média anual caiu para 68 mil, segundo dados do Seade.

Por causa dessa miscigenação, hoje, passear por São Paulo é conhecer todas as tradições. O bairro do Brás, por exemplo, antigo reduto de italianos, é ocupado hoje em sua maioria por migrantes nordestinos. Já a cidade de Carapicuíba registra 70% de migrantes entre nortistas e nordestinos. No município de Embu, os gaúchos realizam festas com acordeão e rabeca e, claro, churrasco. Sem falar de toda a tradição do mobiliário rústico e artesanal.

A parte gastronômica é outro capítulo. Por causa da migração, é possível comer em São Paulo qualquer doce feito com a fruta mais exótica da Amazônia, um bom acarajé preparado por uma baiana autêntica, aquele doce de leite com queijo mineiro ou mesmo encontrar uma boa erva-mate para o preparo do chimarrão. Ou ainda comer leitão à pururuca, vaca atolada, galinha ao molho pardo, moquecas com jeitão capixaba, buchada de carneiro, costelinha de porco com canjiquinha e angu, arroz de cuxá do Maranhão, sopa de goma de mandioca com camarão seco do Belém do Pará ou ainda a combinação de tucupi e jambu. O difícil é enumerar todas as opções.

Seja fugindo da seca ou em busca do sonho de uma vida melhor e do melhor centro educacional do País, enfim, cada um que chegou em São Paulo tinha um motivo. Porém, todos adotaram essa terra como seu lar e essa terra, em contrapartida, recebeu não só complexos problemas urbanos mas, principalmente, ganhou a força do trabalho de uma gente com muita determinação e, acima de tudo, com a infinita riqueza de várias culturas.

Fonte:  sitio “Portal do Governo do Estado de São Paulo” – http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/gente-paulista_migrantes  –  acessado em 25.1.2016

Mais informações, visite:

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Moóca
CEP 03164-300São Paulo – SP
Fone: (11) 6693-0917

acesse o sitio, clicando aqui: Memorial do Imigrante

 


 

 

Baianos compõem maior parcela de migrantes em São Paulo
Estudo do IPEA mostrou que número de baianos é superior à soma de migrantes do Norte e mais seis estados

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

A maior parte dos migrantes que vivem na região metropolitana de São Paulo é composta de baianos. É o que indica o Comunicado nº 115, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado esta semana. O estudo mostra que 11% dos migrantes desta região vieram da Bahia, índice maior que a soma dos migrantes da região Norte e dos estados do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe (9%).

RTEmagicC_grafico.jpg
Distribuição percentual da população de 30 a 60 anos de idade, residente na Região Metropolitana de São Paulo,
por naturalidade – Fonte: PNAD 2009/IBGE (Elaboração Ipea)

No quesito escolaridade, a pesquisa registrou que 59% dos baianos residentes em São Paulo não concluíram o ensino fundamental, outros 16,1% tem ensino médio incompleto, 21,6% não terminaram o ensino superior e apenas 3,1% conseguiram um diploma universitário.

Apesar da redução do número de trabalhadores em serviços domésticos na região metropolitana de Salvador, os migrantes baianos residentes na capital paulista e região metropolitana apresentam a maior proporção de empregados domésticos, com 21,1% trabalhando neste setor.

Os nascidos na Bahia integram junto com os demais nordestinos e nortistas a classe mais baixa, levando em consideração o rendimento mensal médio do trabalho em torno de mil reais, de acordo com estudo. Já em relação a renda domiciliar per capita, os baianos têm a segunda maior parcela que recebe até um salário mínimo (54,3%), atrás dos pernambucanos (57,2%).

O estudo do Ipea utilizou como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O comunicado teve o objetivo de traçar o perfil dos migrantes desta região com idade de 30 a 60, divididos por naturalidade, uma vez que a área apresenta o maior fluxo de migração de pessoas de todo o Brasil, além de estrangeiros.

Fonte:  sitio iBaha.com – http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/baianos-compoem-a-maior-parcela-de-migrantes-em-sao-paulo/?cHash=2674f72b60045b58df4cd839b66f21d5  –  acessado em 25.1.2016