Série “Sertão sobre Trilhos”

Série “Sertão sobre Trilhos”

O canal de TV  InterTV, Grande Minas, filiada da TV Globo em Minas Gerais,  apresentou uma série sobre a ferrovia no Norte de Minas Gerais.
Esses trilhos foram ligados à linha férrea baiana, que passa por Caculé, em 1947, na cidade de Montes Azul.
Essa matéria, apesar de falar sobre a estrada férrea e o desenvolvimento da região Norte de Minas propiciada pela ferrovia,  também ajuda a entender a importância histórica da ferrovia no Sudoeste Baiano e o desenvolvimento das cidades do sertão da Bahia.


Inter TV produz série sobre história do trem de ferro no Norte de Minas

Reportagens vão mostrar o desenvolvimento com a chegada das linhas férreas   [1]

17/10/2016 17h41 – Atualizado em 19/10/2016 12h08

trem

” Nos rastros do trem, muita história para contar. Há 90 anos, as linhas de ferro anunciavam ao sertão norte-mineiro um tempo de desenvolvimento e muitas transformações. Há quem diga que o progresso tenha chegado ao Norte de Minas pelos trilhos. Vamos conhecer toda esta história juntos. O repórter Geraldo Humberto, junto com o cinegrafista Ricardo Caroba, embarcou nesta viagem e ainda tem lugar no trem. Passagens a postos? O ponto de partida é o MG Inter TV 1ª Edição, nesta terça-feira (18).

A equipe da Inter TV Grande Minas estaciona, no primeiro episódio da série, diretamente no século XX. São muitos detalhes de um tempo em que os protagonistas são da Família Real. A Ferrovia Dom Pedro II era um projeto traçado desde o Império, para ligar o Brasil de norte a sul. Na região do Norte de Minas, as linhas férreas estão ligadas aos tropeiros e boiadeiros, que por  volta de 1831 começam a usar currais próximos ao Rio das Velhas, atraindo novos moradores e criando assim a comunidade de Curralinho.

O ponto estratégico para o trem surgiria naquele ponto e, mais tarde, em Corinto. Dá para acreditar que o ferroviário aposentado, Álvaro Maciel, participou da história e contou tudo para o Geraldo Humberto? É história viva! Nosso repórter ainda percorreu os trilhos de todas as cidades da região.

No segundo capítulo, nossa locomotiva avança. A Ferrovia Central do Brasil avançava para o extremo Norte do Estado para ir de encontro ao povo nordestino. Era a integração entre Minas e Bahia. Participaram também pequenas comunidades que depois se tornaram municípios, como Francisco Sá, Janaúba, Capitão Enéas e Monte Azul.

Na terceira reportagem da série, você vai ver como funciona atualmente um trem de passageiros. A nossa reportagem fez uma viagem entre Ipatinga e Governador Valadares para mostrar a tecnologia, estrutura e recursos.

Apesar de toda história que os trens carregam, o quarto episódio da série fala sobre saudade. Tudo isso porque as locomotivas foram perdendo força e, em 1996, pararam de vez de transportar pessoas. A partir daquele ano, apenas grandes cargas passam pelos trilhos do Norte de Minas. O saudosismo de quem participou da história e via o trem passar com muita alegria, se tornou esperança e vontade de ver o trem voltar.

Deu para sentir que o MG Inter TV 1ª Edição vai trazer muitas surpresas, não é mesmo? Não perca este resgate histórico e relembre tudo sobre a era do trem de ferro no Norte de Minas. ”  [1]

 

 


Capa do Programa Sertao Sobre Trilhos.PNG

 

Episódio 1:
“Veja como o trem de ferro trouxe progresso para o Norte de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-veja-como-o-trem-de-ferro-trouxe-progresso-para-o-norte-de-minas/5385813/

Episódio 2:
“Chegada das ferrovias traz prosperidade para o Norte de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-chegada-das-ferrovias-traz-prosperidade-para-o-norte-de-minas/5388844/

Episódio 3:
“Viagem histórica continua e vai até o Leste de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-viagem-historica-continua-e-vai-ate-o-leste-de-minas/5391349/

Episódio 4:
“Último episódio do ‘Sertão sobre Trilhos’ fala sobre saudades do trem de passageiros”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/ultimo-episodio-do-sertao-sobre-trilhos-fala-sobre-saudades-do-trem-de-passageiros/5394087/

 


Fontes:
 .
 .
[2]  série “Sertão Sobre Trilhos” da InterTV  –  vários links do site oficial
 .
[3]  matéria no site da InterTV, Grande Minas  –  http://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2016/10/chegada-da-ferrovia-central-do-brasil-ao-norte-de-minas-completa-90-anos.html  –  acessado em 22.10.2016

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Entrevista com Dona Rosinha

Os alunos da UNINTER – Centro Universitário, Polo Caculé,  realizaram um trabalho acadêmico sobre Bens Culturais Imateriais;  apresentado no Cine-Teatro Eng. Dórea.
Rosa Maria dos Santos Alves  ou, carinhosamente, Dona Rosinha é artista circense e fundadora do Grupo de Quadrilha Buscapé.

Neste vídeo, resumo de 10min da entrevista, Dona Rosinha conta sua história, como chegou à Caculé, e sua relação com a cultura da cidade.


Fonte:
[1]  Video no Youtube dos alunos da Uninter, Polo Caculé  –  https://youtu.be/oOJ4utpPbn4  –  acessado em 1.10.2016

 

 

 

Cine Teatro Engenheiro Dórea

” O Cine Theatro Engenheiro Dórea foi inaugurado em Caculé na década de 1940 para exibição de filmes, peças de teatro, bailes, programas de calouro e outros eventos sociais.
A sala do primeiro piso, que comportava trezentas cadeiras, exibiu centenas de clássicos do cinema. O segundo piso abrigava um salão de dança (que servia também de reuniões da alta sociedade) e uma rádio, a Rádio Marajá de Caculé, que divulgava os filmes a serem exibidos nas matinês e as festas da noite.
Localizado no centro da cidade, o nome do lugar é uma homenagem ao engenheiro Emmanuel Dória, responsável pela idealização do espaço cultural e festivo, que chegou a ter shows dos cantores Waldick Soriano e Nelson Ned.
Na década de 1950, o direito de uso do espaço foi cedido ao lanterninha Antônio Romário de Oliveira Conceição, que ainda manteve o cinema funcionando durante 30 anos até fechar suas portas em 1980.
O espaço foi reaberto em junho de 2012.”   [3]

 

Cine Teatro Engenheiro Emmanuel Doria
após a reforma, executada na gestão do prefeito Luciano Ribeiro, o cine teatro foi reinaugurado em 9 de junho de 2012

” Inaugurado na década de 1940, o antigo cinema de Caculé fechou suas portas em 1980 após centenas de exibições dos clássicos da sétima arte. Hoje, para alegria dos caculeenses, a sala, que já encantou gerações, abrigou salões de dança e reuniões da alta sociedade, será reaberta definitivamente em junho de 2012.
A obra de revitalização do cinema concentra investimentos iniciais na ordem de R$250 mil, anunciados pela Prefeitura local, a fim de restaurar o prédio do “Cine Theatro Engenheiro Dórea”, localizado no centro da cidade. O nome do lugar é uma homenagem a Manoel Dórea, responsável pela idealização do espaço, que havia sido desativado há anos para dar lugar ao prédio da Secretaria Municipal de Saúde. Na década de 1950, o direito de uso do espaço foi cedido ao lanterninha Antônio Romário de Oliveira Conceição, que ainda manteve o cinema funcionando, mesmo em ruínas, durante 30 anos.
Com recursos próprios, a Prefeitura informou em nota que, além de uma ampla reforma, também serão comprados equipamentos como tela e projetor, no intuito de resgatar e modernizar o espaço cultural da cidade.
“Quando soube que o prédio do cinema iria ser restaurado, comemorei. Foi uma das melhores notícias que recebi”, vibrou o escritor Carlos Alberto de Souza.
A comunidade de Caculé está ansiosa pela inauguração do cinema, que promete movimentar a cidade, tal a importância da sala, enquanto espaço cultural e histórico.
A repercussão da obra de abertura tem sido bastante positiva, inclusive, com matéria de destaque publicada no Jornal A Tarde.”   [4]

 


Segundo o livro “Caculé de Miguelzinho” e em conversa com moradores, o cine teatro já existia desde a década de 1900.  Mas em 1920 ele foi reformado e ampliado, com alteração arquitetônica, e permanecendo com o mesmo desenho até os dias de hoje.

O segundo andar, local reservado para bailes, sede do Aero-Clube, possuía um pequeno palco para as apresentações das bandas e o piso era em madeira.   [9]

 

Vista aérea da cidade  - BA28217
foto aérea, sem data, com a antiga igreja matriz, cine teatro Eng. Dórea, o Paço e parte da cidade, disponível no IBGE

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Segundo José Alves Fróis, em seu livro Caculé de Miguelzinho, de 1967, o teatro foi reconstruído em 1920, passando para o “domínio” da Sociedade Lira Caculeense.
A Lira Caculeense fora fundada em 1909, sendo o presidente o Cônego Miguel Monteiro e regente o Maestro Antonio Fróes de Castro.

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A Reforma:

 

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Durante a reforma, foi necessário substituir o piso de tábuas de madeira por uma lage de concreto.
Ao retirar as vigas (peças em madeira do telhado) do teatro,  as paredes originais não conseguiram se sustentar desabando.  Por este motivo, foi necessário a reconstrução integral das paredes e do telhado do espaço da platéia do teatro.   [9]
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Atualmente conta com 15 fileiras de 10 poltronas cada, e uma fileira com 8 poltronas, divididos de forma igual no lado direito e esquerdo.
Em 2016 foram instalados os aparelhos de ar-condicionado na platéia.

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A Reinauguração:

” Prédio do Cine Teatro de Caculé é reinaugurado
Muita emoção marca a volta do Cine Teatro Engenheiro Emmanuel Dória 14/06/2012 – Ascom PMC

O dia 9 de junho (2012) ficará marcado na história de todos caculeenses que participaram de um evento que resgatou a historia da cultura do município. Depois de 30 anos o Prédio do Cine Teatro Engenheiro Emmanuel Dória é reinaugurado e em grande estilo retrata a magia da arte em uma noite de encantamento e fortes emoções.

Uma linda apresentação da peça “Anos Dourados”, do Grupo Teatral EmerGente, coordenado pelo escritor Carlos Alberto de Souza, também conhecido como Carlinhos White, homenageou brilhantes personalidades que fizeram parte da história do Cine, alguns deles presentes na ocasião demonstraram em palavras a imensa gratidão em participar da reinauguração de um espaço que trouxe  tantas alegrias aos amantes da cultura.

Na oportunidade a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Adailde Cruz Teles, também relembrou o passado através de um vídeo que retratava o cine em plena atividade. Emocionada a Secretária transmitiu a alegria em resgatar um espaço que impulsionará a realização de grandes espetáculos. ”   [6]


Desde a inauguração, o cine teatro é palco de peças teatrais do Grupo de Teatro A Fênix, dirigida por Carlos White,  do Festival de Talentos, lançamentos de livros, sessões de cinema e várias reuniões de associações, professores e cursos, além de homenagens.

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Algumas frases :

” Nas matinés do Cine Teatro Engenheiro Dórea, eu adorava assistir aqueles filmes com o Rock Hudson e a Doris Day para apreciar as mansões de Beverly Hills, os Cadillac e os Bel Air. ”  João Carlos Cavalcanti   [7]

 


A localização :

 


Fontes e referências:

[1]   IBGE – fotos

[2]   página no Facebook: Fotos Antigas de Caculé  –  – acessado em 1.5.2016

[3]   site Taberna da História do Sertão Baiano  – http://tabernadahistoriavc.com.br/cine-teatro-engenheiro-dorea-foi-inaugurado-na-decada-de-1940/  –  acessado em 1.5.2016

[4]   jornal online Brumado Notícias  – http://www.brumadonoticias.com.br/antigo/tag/cine-teatro-engenheiro-dorea/  – acessado em 1.5.2016

[5]  site da PMC – Prefeitura Municipal de Caculé – acessado em 25.4.2016

[6]   site da PMC – Prefeitura Municipal de Caculé – http://www.governodecacule.ba.gov.br/?pagina=noticia&codNoticia=1873 –  acessado em 1.5.2016

[7]   entrevista de João Carlos Cavalcanti, o JC, à Celso Arnaldo Araujo na revista online Go’Where Business n° 08  – http://www.gowhere.com.br/business/o-ceu-nao-e-o-limite/  –  acessado em 3.5.2016

[9]   conversa com o prefeito sr. Beto Maradona, em 14.8.2017

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Ciclo / Queima de Arquivo – o 1º filme caculeense

O primeiro filme (curta metragem) filmado em Caculé e Rio do Antonio, em 1967, com os atores Gessy Gesse (ex-esposa de Vinícius de Moraes) e Carlos White, Arnunice Sapucaia;  dirigido por Cliton Vilela com argumento de José Teles, baseado num conto de Ricardo Cruz.

 

” O curta-metragem Queima de Arquivo, de Cliton Vilela, e o longa O Pistoleiro, de Oscar Santana, são as atrações da próxima edição do projeto Quartas Baianas, no dia 20 de setembro, às 20 horas, na Sala Walter da Silveira (Biblioteca Pública dos Barris).

Os filmes abordam questões do imaginário nordestino, com suas disputas de poder e regras sociais próprias. O curta Queima de Arquivo, do experiente diretor Cliton Vilela, por exemplo, retrata com um olhar realista as leis criadas e impostas pelos coronéis do Sertão da Bahia, tendo como ponto de partida o caso da destruição misteriosa de arquivos e documentos políticos. ”  [2]

 

” O Jornal da Bahia, de 10 de setembro de 1966,  … comenta o filme que está sendo produzido por Clinton Vilela, Histórias de Amor e Ódio:

” O copião do primeiro episódio, Palafitas, dirigido por José Teles, foi exibido na manhã de ontem para um grupo de convidados;   e para o segundo episódio, O Ciclo, já está confirmado o retorno de Gessy Gesse às lides cinematográficas.   Ela fará a principal personagem feminina.”

O terceiro episódio, Véspera de Jogo, “[…] adaptação de um conto de Ariovaldo Matos, direção de Orlando Sena [sic], provavelmente começará a ser rodado a partir de outubro.”
Mais adiante, em 20 de outubro, o Diário de Notícias complementa e estabelece dúvidas sobre a autoria de O Ciclo , informando que o curta metragem foi “[…] dirigido por Cliton [sic] com argumento de José Teles, baseado num conto de Ricardo Cruz, com Echio Reis, Milton Gaúcho e Gessy Genes, filmado totalmente em Caculé.”  [4]

Sobre o diretor Cliton Vilela:  é realizador, diretor, de curtas e diretor de fotografia pernambucano, radicado em São Paulo.

 

Fontes:
[1]  informação oral do ator Carlos White
[2]  página do Jornal A Tarde, caderno Cultura de 19.9.2006  – http://atarde.uol.com.br/cultura/noticias/1098698-quartas-baianas-exibe-filmes-de-clinton-vilela-e-oscar-santana – acessado em 2.3.2016
[3]  site Cinemateca Brasileira do Ministério da Cultura  – http://cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=P&nextAction=search&exprSearch=ID=029358&format=detailed.pft – acessado em 2.3.2016
[4]  livro “Dona Flor da Cidade da Bahía”, de Benedito Veiga, Editora 7 Letras, 2006

 

 

 

De Trem: Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG

“A Linha do Trem, um Caminho Esquecido” é um documentário produzido pela TVE-BA em 2001, com direção, roteiro e edição do repórter Robson do Val, que conta um pouco da história da ferrovia RFFSA (SR-7) – atual FCA –  a bordo de um trem cargueiro, partindo de Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG.
História e a beleza das ferrovias baianas neste pioneiro documentário dirigido pelo jornalista Robson do Val.

Em uma viagem de 40 horas, Robson do Val acompanha, dia e noite, da cabine de uma locomotiva U-20 da FCA – Ferrovia Centro Atlântica.

Esse é o trem de cargas que trafega diariamente,  passando por cidades como Brumado, Rio do Antonio, Caculé, Licínio de Almeida, Urandi, Espinosa e Monte Azul; seguindo para Montes Claros.

Participação do Caculeense: Antonio Coutinho !

Fonte: Video publicado na página “Verde Trem” no Youtube – https://youtu.be/5B213nnhneg – acessado em 22.1.2016

 

 

 

A Viagem Histórica da Caravana Ver de Trem para a ECO 92

O Projeto Ver de Trem / Movimento Trem de Ferro e o Grupo Ecológico Germen uniram-se para a concretização da histórica viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro para a ECO 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento) num trabalho de revitalização dos trens de passageiros nas ferrovias brasileiras.

Da cidade de Salvador já não partem mais trens para outras cidades. A malha ferroviária brasileira, apesar de ligar o país de norte ao sul, está hoje praticamente disponível apenas para transporte de cargas.

Em Outubro de 1991 lançamos uma campanha que visava uma viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro, com objetivo de conduzir parte da delegação baiana para a Rio 92, por entender ser o trem o meio de transporte mais econômico, ecológico e seguro.

Apesar do descrédito inicial, a ideia tomou corpo e hoje é fato consumado: um grupo de 95 pessoas,entre ambientalistas, ferroviários, especialistas, imprensa e artistas chegaram ao Rio de Janeiro numa histórica viagem, com características inéditas e de amplo efeito social. Nas devidas proporções,muitas ONGs brasileiras tem superado as expectativas, mas nem por isso seus temas estão sendo evidenciados pelos meios de comunicação do país. Um agravamento ainda maior ocorre quando se trata de questões nascidas nas regiões menos favorecidas desse Brasil continental, onde o norte e o nordeste apesar de expoentes na problemática ambiental brasileira, permanecem à margem das decisões sobre os seus próprios destinos.

Gostaríamos de lembrar que a Região Nordeste também promoveu uma chegada especial a Rio 92, conforme registrado oficialmente no FORUM GLOBAL, que infelizmente não se fez presente a nossa chegada no Rio de Janeiro, o que certamente seria importante para fortalecer o conteúdo embutido no projeto que trouxe a delegação num trem da Rede Ferroviária Federal (extinta RFFSA) desde a nossa cidade de Salvador, de onde saímos no dia 23 de Maio de 1992, chegando ao Rio de Janeiro no dia 29.

Cidades baianas como Santo Amaro, Cachoeira, Iaçu, Cruz das Almas, Brumado, Caculé, Rio do Antônio e Urandi, entre outras, pararam para ver o trem passar levando suas mensagens e colhendo informações e manifestações.
Foram momentos marcantes, onde as populações puderam manifestar suas expectativas com relação à Rio 92 e pedir o retorno dos trens de passageiros,totalmente inseridos na cultura,história e economia dessas cidades.  Dezenas de outras paradas, previstas ou não, aconteceram forçosamente, diante de grandes manifestações populares, caracterizando uma grande onda multiplicadora da nossa ação.

Documentos oficiais foram deixados em nossas mãos pelas prefeituras e entidades civis das cidades, além de faixas, cartazes, produções estudantis e da comunidade em geral. Bandas de músicas,palcos e palanques foram preparados para recepcionar o VER DE TREM nesta viagem histórica e de resgate de tantos anseios populares. Entre os encontros mais marcantes citamos o ocorrido na cidade de Brumado, onde se confirmou a presença de cerca de 30 mil pessoas nos aguardando em praça publica, o que caracterizou,segundo a imprensa local,a maior manifestação popular da história de Brumado, que na epóca tinha 51 mil habitantes.

O Projeto passou também por muitas cidades mineiras onde também ficou marcado por grande receptividade popular. Com atraso de 2 horas e meia chegamos zero hora e 40 minutos na cidade de Corinto (única mineira onde pernoitamos), onde havia uma concentração de cerca de 5 mil pessoas na estação.

Diante dos acontecimentos nessa viagem,cresceu muito a nossa responsabilidade e hoje nos sentimos porta-vozes de milhares de pessoas das cidades ao longo da linha-férrea desde a estação da Calçada em Salvador, até a estação da Central do Brasil no Rio de Janeiro, numa grande ação de popularização da Rio 92.

Pessoas sofridas e esquecidas desse nosso interior do Brasil. Muitas sem perspectivas de vida, com seus rostos tristes e marcados pela fome e vida miserável, mas ao mesmo tempo com muita emoção demonstraram muita esperança e depositaram essa esperança nos ecologistas que passaram no VER DE TREM.   Eles, que tem pouco, não se furtaram em nos suprir de alimentos, bebidas e artesanatos locais. Tudo isso sinalizou para nós uma grande mensagem e uma lição que levaremos para o resto de nossas vidas.

Na chegada ao Rio o cantor e compositor Gilberto Gil nos honrou com sua recepção, participando brilhantemente de um show com os artistas que acompanharam o VER DE TREM e também discursou chamando a atenção sobre a importãncia da revitalização do transporte ferroviário e mostrando-se indignado com o seu sucateamento disse :
“Nossas ferrovias foram jogadas no lixo ! “.
Um outro projeto baiano -“Escola Itinerante”- também do forum de ONGs da Bahia chegou de ônibus 2 dias antes com 16 crianças e nos recepcionou na Central do Brasil, complementando as ações afetuosas ao longo de 3.000 km de ferrovias.




 

Fonte:  Blog Projeto Ver de Trem – http://projetoverdetrem.blogspot.com.br/p/eco-92-viagem-historica.html – acessado em 22.1.2016