Inauguração da Igreja Matriz de Caculé

Inauguração da Igreja Matriz de Caculé

A inauguração e benção pelo Bispo de Caetité, da  Igreja Sagrado Coração de Jesus, ocorreu no dia 8 de setembro de 1968.

Praça Igreja - construção 1970 - MuseuDeCacule

Transcrevemos abaixo a matéria publicada no Jornal A Seta:
”   Esperando mais de um lustro, Caculé, eufórico viu no dia 8 de setembro, data consagrada ao seu excelso Padroeiro, o Sagrado Coração de Jesus, a inauguração de sua Igreja-Matriz, construída em estilo arquitetônico moderno, caracterizando-se o seu amplo auditório em forma de leque, possuindo na ala direita uma sala para escola primária e reuniões com capacidade para cinquênta elementos, bem como uma vasta sacristia.
A benção foi dada por D. Jose Pedro Costa, às 9 horas do referido dia e a seguir o nosso eminente Bispo, príncipe da oratória sacra, proferiu maravilhoso sermão pertinente ao ato, onde teceu louvores e agradecimento à Família Fernandes, maxime ao seu saudoso chefe Miguel Fernandes, o pioneiro e responsável pela construção do magnífico templo religioso, doado a esta Cidade.
Como representantes da Família Fernandes, compareceram às cerimônias inaugurais, a ilustre viúva D. Cacilda Castro Fernandes, o distinto casal Autímio e Aurinda (D. Iaiá) Fernandes, inclusive seu filho Valeriano Neto e espôsa.
Naquêle ensejo foi pretada uma homenagem póstuma a Miguel Fernandes, colocando em sinal de gratidão, o seu retrato na sacristia do referido templo, falando na ocasião o Prof. Eleutério Tavares, Sr. Valdemar Damasceno e por fim D. José Costa. ”   [1]

Igreja Matriz - Inauguração - Jornal A Seta - NOV 1968 - recorte MuseudeCacule
* Cópia do Jornal A Seta faz parte do Acervo (Reserva Técnica) do Museu de Caculé

 

Fotos mais recentes da Igreja Matriz (sem data):

 

 


Fonte:

[1]   Jornal A Seta,  N.3, publicado em Novembro de 1968, Caculé/BA

 

 

 

 

 

 

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A Viagem Histórica da Caravana Ver de Trem para a ECO 92

O Projeto Ver de Trem / Movimento Trem de Ferro e o Grupo Ecológico Germen uniram-se para a concretização da histórica viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro para a ECO 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento) num trabalho de revitalização dos trens de passageiros nas ferrovias brasileiras.

Da cidade de Salvador já não partem mais trens para outras cidades. A malha ferroviária brasileira, apesar de ligar o país de norte ao sul, está hoje praticamente disponível apenas para transporte de cargas.

Em Outubro de 1991 lançamos uma campanha que visava uma viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro, com objetivo de conduzir parte da delegação baiana para a Rio 92, por entender ser o trem o meio de transporte mais econômico, ecológico e seguro.

Apesar do descrédito inicial, a ideia tomou corpo e hoje é fato consumado: um grupo de 95 pessoas,entre ambientalistas, ferroviários, especialistas, imprensa e artistas chegaram ao Rio de Janeiro numa histórica viagem, com características inéditas e de amplo efeito social. Nas devidas proporções,muitas ONGs brasileiras tem superado as expectativas, mas nem por isso seus temas estão sendo evidenciados pelos meios de comunicação do país. Um agravamento ainda maior ocorre quando se trata de questões nascidas nas regiões menos favorecidas desse Brasil continental, onde o norte e o nordeste apesar de expoentes na problemática ambiental brasileira, permanecem à margem das decisões sobre os seus próprios destinos.

Gostaríamos de lembrar que a Região Nordeste também promoveu uma chegada especial a Rio 92, conforme registrado oficialmente no FORUM GLOBAL, que infelizmente não se fez presente a nossa chegada no Rio de Janeiro, o que certamente seria importante para fortalecer o conteúdo embutido no projeto que trouxe a delegação num trem da Rede Ferroviária Federal (extinta RFFSA) desde a nossa cidade de Salvador, de onde saímos no dia 23 de Maio de 1992, chegando ao Rio de Janeiro no dia 29.

Cidades baianas como Santo Amaro, Cachoeira, Iaçu, Cruz das Almas, Brumado, Caculé, Rio do Antônio e Urandi, entre outras, pararam para ver o trem passar levando suas mensagens e colhendo informações e manifestações.
Foram momentos marcantes, onde as populações puderam manifestar suas expectativas com relação à Rio 92 e pedir o retorno dos trens de passageiros,totalmente inseridos na cultura,história e economia dessas cidades.  Dezenas de outras paradas, previstas ou não, aconteceram forçosamente, diante de grandes manifestações populares, caracterizando uma grande onda multiplicadora da nossa ação.

Documentos oficiais foram deixados em nossas mãos pelas prefeituras e entidades civis das cidades, além de faixas, cartazes, produções estudantis e da comunidade em geral. Bandas de músicas,palcos e palanques foram preparados para recepcionar o VER DE TREM nesta viagem histórica e de resgate de tantos anseios populares. Entre os encontros mais marcantes citamos o ocorrido na cidade de Brumado, onde se confirmou a presença de cerca de 30 mil pessoas nos aguardando em praça publica, o que caracterizou,segundo a imprensa local,a maior manifestação popular da história de Brumado, que na epóca tinha 51 mil habitantes.

O Projeto passou também por muitas cidades mineiras onde também ficou marcado por grande receptividade popular. Com atraso de 2 horas e meia chegamos zero hora e 40 minutos na cidade de Corinto (única mineira onde pernoitamos), onde havia uma concentração de cerca de 5 mil pessoas na estação.

Diante dos acontecimentos nessa viagem,cresceu muito a nossa responsabilidade e hoje nos sentimos porta-vozes de milhares de pessoas das cidades ao longo da linha-férrea desde a estação da Calçada em Salvador, até a estação da Central do Brasil no Rio de Janeiro, numa grande ação de popularização da Rio 92.

Pessoas sofridas e esquecidas desse nosso interior do Brasil. Muitas sem perspectivas de vida, com seus rostos tristes e marcados pela fome e vida miserável, mas ao mesmo tempo com muita emoção demonstraram muita esperança e depositaram essa esperança nos ecologistas que passaram no VER DE TREM.   Eles, que tem pouco, não se furtaram em nos suprir de alimentos, bebidas e artesanatos locais. Tudo isso sinalizou para nós uma grande mensagem e uma lição que levaremos para o resto de nossas vidas.

Na chegada ao Rio o cantor e compositor Gilberto Gil nos honrou com sua recepção, participando brilhantemente de um show com os artistas que acompanharam o VER DE TREM e também discursou chamando a atenção sobre a importãncia da revitalização do transporte ferroviário e mostrando-se indignado com o seu sucateamento disse :
“Nossas ferrovias foram jogadas no lixo ! “.
Um outro projeto baiano -“Escola Itinerante”- também do forum de ONGs da Bahia chegou de ônibus 2 dias antes com 16 crianças e nos recepcionou na Central do Brasil, complementando as ações afetuosas ao longo de 3.000 km de ferrovias.




 

Fonte:  Blog Projeto Ver de Trem – http://projetoverdetrem.blogspot.com.br/p/eco-92-viagem-historica.html – acessado em 22.1.2016