Série “Sertão sobre Trilhos”

Série “Sertão sobre Trilhos”

O canal de TV  InterTV, Grande Minas, filiada da TV Globo em Minas Gerais,  apresentou uma série sobre a ferrovia no Norte de Minas Gerais.
Esses trilhos foram ligados à linha férrea baiana, que passa por Caculé, em 1947, na cidade de Montes Azul.
Essa matéria, apesar de falar sobre a estrada férrea e o desenvolvimento da região Norte de Minas propiciada pela ferrovia,  também ajuda a entender a importância histórica da ferrovia no Sudoeste Baiano e o desenvolvimento das cidades do sertão da Bahia.


Inter TV produz série sobre história do trem de ferro no Norte de Minas

Reportagens vão mostrar o desenvolvimento com a chegada das linhas férreas   [1]

17/10/2016 17h41 – Atualizado em 19/10/2016 12h08

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” Nos rastros do trem, muita história para contar. Há 90 anos, as linhas de ferro anunciavam ao sertão norte-mineiro um tempo de desenvolvimento e muitas transformações. Há quem diga que o progresso tenha chegado ao Norte de Minas pelos trilhos. Vamos conhecer toda esta história juntos. O repórter Geraldo Humberto, junto com o cinegrafista Ricardo Caroba, embarcou nesta viagem e ainda tem lugar no trem. Passagens a postos? O ponto de partida é o MG Inter TV 1ª Edição, nesta terça-feira (18).

A equipe da Inter TV Grande Minas estaciona, no primeiro episódio da série, diretamente no século XX. São muitos detalhes de um tempo em que os protagonistas são da Família Real. A Ferrovia Dom Pedro II era um projeto traçado desde o Império, para ligar o Brasil de norte a sul. Na região do Norte de Minas, as linhas férreas estão ligadas aos tropeiros e boiadeiros, que por  volta de 1831 começam a usar currais próximos ao Rio das Velhas, atraindo novos moradores e criando assim a comunidade de Curralinho.

O ponto estratégico para o trem surgiria naquele ponto e, mais tarde, em Corinto. Dá para acreditar que o ferroviário aposentado, Álvaro Maciel, participou da história e contou tudo para o Geraldo Humberto? É história viva! Nosso repórter ainda percorreu os trilhos de todas as cidades da região.

No segundo capítulo, nossa locomotiva avança. A Ferrovia Central do Brasil avançava para o extremo Norte do Estado para ir de encontro ao povo nordestino. Era a integração entre Minas e Bahia. Participaram também pequenas comunidades que depois se tornaram municípios, como Francisco Sá, Janaúba, Capitão Enéas e Monte Azul.

Na terceira reportagem da série, você vai ver como funciona atualmente um trem de passageiros. A nossa reportagem fez uma viagem entre Ipatinga e Governador Valadares para mostrar a tecnologia, estrutura e recursos.

Apesar de toda história que os trens carregam, o quarto episódio da série fala sobre saudade. Tudo isso porque as locomotivas foram perdendo força e, em 1996, pararam de vez de transportar pessoas. A partir daquele ano, apenas grandes cargas passam pelos trilhos do Norte de Minas. O saudosismo de quem participou da história e via o trem passar com muita alegria, se tornou esperança e vontade de ver o trem voltar.

Deu para sentir que o MG Inter TV 1ª Edição vai trazer muitas surpresas, não é mesmo? Não perca este resgate histórico e relembre tudo sobre a era do trem de ferro no Norte de Minas. ”  [1]

 

 


Capa do Programa Sertao Sobre Trilhos.PNG

 

Episódio 1:
“Veja como o trem de ferro trouxe progresso para o Norte de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-veja-como-o-trem-de-ferro-trouxe-progresso-para-o-norte-de-minas/5385813/

Episódio 2:
“Chegada das ferrovias traz prosperidade para o Norte de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-chegada-das-ferrovias-traz-prosperidade-para-o-norte-de-minas/5388844/

Episódio 3:
“Viagem histórica continua e vai até o Leste de Minas”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/sertao-sobre-trilhos-viagem-historica-continua-e-vai-ate-o-leste-de-minas/5391349/

Episódio 4:
“Último episódio do ‘Sertão sobre Trilhos’ fala sobre saudades do trem de passageiros”
http://g1.globo.com/mg/grande-minas//videos/v/ultimo-episodio-do-sertao-sobre-trilhos-fala-sobre-saudades-do-trem-de-passageiros/5394087/

 


Fontes:
 .
 .
[2]  série “Sertão Sobre Trilhos” da InterTV  –  vários links do site oficial
 .
[3]  matéria no site da InterTV, Grande Minas  –  http://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2016/10/chegada-da-ferrovia-central-do-brasil-ao-norte-de-minas-completa-90-anos.html  –  acessado em 22.10.2016

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Cronologia Histórica Ferroviária

O desenvolvimento ferroviário brasileiro sempre esteve intimamente ligado a políticas de governo, que, por seu turno, variaram grandemente ao longo da história. Nesse sentido, e visando sistematizar essa relação, procurou-se dividir a evolução do sistema ferroviário segundo fases cronológicas, correlacionadas a fases da nossa história imperial e republicana.
Segundo estudos do eng. José Eduardo Castello Branco, a evolução ferroviária no país observa as seguinte fases:

Fase I (1835 – 1873) : durante a Regência e o Segundo Reinado, sendo observado o início da implantação de ferrovias no Brasil e o desenvolvimento desse sistema de transporte de forma lenta, através de empresas essencialmente privadas;
Fase II (1873 – 1889) : abrangendo o Segundo Reinado e caracterizada por uma expansão acelerada da malha ferroviária, através de empreendedores privados, estimulados pelo instituto da garantia de juros;
Fase III (1889 – 1930) : englobando a República Velha, ainda sendo observada uma expansão acelerada da malha, porém com o estado sendo obrigado a assumir o controle de várias empresas em dificuldades financeiras;
Fase IV (1930 – 1960) : compreendendo a era Vargas e o pós-guerra, com o ritmo de expansão diminuindo e um amplo controle estatal das empresas antes privadas;
Fase V (1960 – 1990) : situada quase que inteiramente ao longo do período em que a nação foi governada por um regime militar, estando a malha consolidada em poucas empresas públicas, ocorrendo erradicação de ramais anti-econômicos e implantação de projetos seletivos de caráter estratégico;
Fase VI (1990 – ? ) : período da Nova República, marcado pela privatização de todo o sistema ferroviário nacional.
A cronologia a seguir procura observar, sempre que possível, as fases antes assinaladas, acrescentando-se, às ocorrências nacionais que lhes dão forma, alguns fatos relevantes ocorridos no cenário internacional.

 

I – Século XVII até 1873

Século XVII – Vagões de madeira, circulando em trilhos de madeira, são utilizados em minas de carvão do norte da Inglaterra.

1776 – Trilhos de madeira são substituídos por trilhos de ferro, nas minas de carvão de Shropshire, Inglaterra.
1801 – Autorização do governo inglês para exploração da primeira ferrovia de carga: a Surrey Iron Railway.
1803 – Início da operação na Surrey Iron Railway, ligando Wandsworth a Croyden, Inglaterra, com tração animal.

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Emprego da tração animal em ferrovias

1804 – Richard Trevithick testa o emprego de locomotiva a vapor para substituir a tração animal, sem sucesso, pois essa máquina mostrou-se incapaz de subir pequenas rampas por falta de peso para produzir aderência.
1807 – Início da operação da primeira ferrovia de passageiros: a Oystermouth Railway, na Inglaterra, com tração animal.
1812 – Emprego de locomotiva a vapor, com rodas e um dos trilhos dentados (semelhantemente a uma cremalheira), na Middleton Railway, Inglaterra, para superação dos problemas de aderência.
1825 – Abertura ao tráfego da Stockton e Darlington Railway, Inglaterra, onde foi empregada uma locomotiva a vapor com razoáveis condições de tração e aderência, projetada por George Stephenson.

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Locomotiva a vapor de Stephenson

 

1828 – Promulgada, no Brasil, a Lei José Clemente, que autoriza a construção de estradas no país, por empresários nacionais ou estrangeiros.
1830 – A Liverpool e Withstable Railway, Inglaterra, substitui toda a tração animal por locomotivas a vapor.
1835 – Promulgação, no Brasil, da Lei Feijó, que autoriza a concessão de ferrovias unindo o Rio de Janeiro às províncias de Minas Gerais, Bahia e Rio Grande do Sul.
1840 – Edição do Railway Regulation Act, na Inglaterra, estabelecendo regras para a exploração do transporte ferroviário. Primeira concessão ferroviária do Brasil, ao médico inglês Thomas Cochrane para construção da ligação Rio de Janeiro ? São Paulo.
1841 – Utilização pela primeira vez da sinalização semafórica na South Eastern Railway, e do telégrafo elétrico na North Midland Railway, ambas da Inglaterra, para controle do tráfego ferroviário.
1842 – Estabelecimento, pela Railway Clearing House, da Inglaterra, de regras para o tráfego mútuo entre ferrovias.
1844 – Início do processo de unificação das bitolas na Inglaterra, com a adoção do padrão de 1.435mm.
1845 – Inauguração da primeira ferrovia do Brasil, com 14,5km, ao fundo da baía da Guanabara, atualmente município de Magé, Rio de Janeiro, um empreendimento de Irineu Evangelista de Souza, que futuramente seria o Barão de Mauá.

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Irineu Evangelista de Souza – Barão de Mauá

 

1850 – Promulgação, nos EUA, do Railroad Land Grant Act, que concede terras do governo a ferrovias pioneiras.
1855 – Circulação do primeiro trem postal, entre Londres e Bristol, Inglaterra.
1858 – Inauguração da segunda estrada de ferro do Brasil, a Recife and São Francisco Railway Company, entre Recife e Cabo, em Pernambuco. Essa ferrovia marca também o início da instalação da primeira empresa inglesa no país. Conclusão do primeiro segmento, entre o Rio de Janeiro e Queimados, na Baixada Fluminense, daquela que seria por muitos anos a mais importante ferrovia do Brasil: a E. F. D. Pedro II, mais tarde E. F. Central do Brasil.
1863 – Abertura ao tráfego do primeiro metrô, em Londres, operado pela Metropolitan Railway, entre as estações de Bishop’s Road e Farringdon Street.
1869 – George Westinghouse recebe a patente de seu freio a ar, que iria diminuir sobremaneira os acidentes ferroviários derivados de problemas de frenagem. Concluída a construção da primeira ferrovia transcontinental dos EUA, com a junção das linhas da Central Pacific Railway e da Union Pacific Railway.

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George Westinghouse

 

1871 – Descontinuada, nos EUA, a política governamental de concessão de terras às ferrovias pioneiras.

 

II – 1873-1889

1873 – Promulgação, no Brasil, da Lei 2450, de 24 de setembro, que concede garantia de juros ou, alternativamente, subvenção quilométrica relativamente ao capital empregado nas construções de ferrovias.
Inventado, nos EUA, pelo ex-escravo Eli Janney, o sistema de engate automático, eliminando grandemente os graves acidentes que normalmente ocorriam com manobradores no engate e desengate de vagões e carros de passageiro.
1878 – Promulgação, no Brasil, do Decreto 6995, de 10 de agosto, complementando a legislação concessional anterior e estabelecendo a arbitragem na solução de conflitos entre governo e ferrovias.
1881 – Inaugurada a primeira linha de bonde elétrico, em Berlim, Alemanha. George Westinghouse aperfeiçoa o sistema de bloqueio elétrico da sinalização, que aumenta tremendamente a segurança das estradas de ferro.
1882 – Realização do I Congresso de Estradas de Ferro no Brasil, que contou com a presença do imperador D. Pedro II em todas as suas treze sessões. Primeira utilização do telefone no despacho de trens, pela New York West Shore & Buffalo Railroad, EUA.

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D. Pedro II e a Imperatriz Tereza Cristina

 

1883 – Inauguração da primeira ferrovia eletrificada: a Volk’s Electric Railway, Inglaterra.
Entrada em operação do primeiro trem de passageiros de longa distância de luxo: o Expresso do Oriente.
Realizada a Convenção Geral de Horários, nos EUA, para criar quatro fusos horários no país e substituir a hora local como definidora dos horários de trens.
1884 – Entrada em serviço do primeiro carro de passageiros com ar condicionado, nos EUA.
1887 – Criada nos EUA a primeira agência reguladora do transporte ferroviário em âmbito nacional: a Interstate Commerce Comission – ICC
1889 – Apresentação, em Paris, do primeiro aparelho de mudança de via com acionamento hidráulico.

 

III – 1889-1930

1890 – Entrada em serviço do primeiro sistema de metrô eletrificado, em Londres.Início do resgate de ferrovias privadas pelo governo brasileiro, com a encampação da E. F. São Paulo e Rio de Janeiro, posteriormente incorporada à E. F. Central do Brasil.
1892 – Uniformização da bitola na Great Western Railway, Grã-Bretanha.
1900 – Introdução do sistema de areeiros para melhoria da aderência roda x trilho, na Inglaterra.Eletrificação da linha Paris – Juvissy, na França, com terceiro trilho.
1903 – Entrada em funcionamento do primeiro laboratório para testes de materiais de construção do Brasil, iniciativa da E. F. Central do Brasil.
1904 – Introdução no Brasil, pela Cia. Paulista de Estradas de Ferro – CPEF, da técnica de plantio de eucalipto, de origem australiana, para fornecimento de lenha às locomotivas a vapor.

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Símbolo da CPEF

1905 – Passagem ao controle do governo de São Paulo da E. F. Sorocabana, em dificuldades financeiras.

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Símbolo da Sorocabana

 

1906 – Inauguração do túnel ferroviário e Simplon, nos Alpes, com comprimento de 19.73m.
1912 – Inauguração da E. F. Madeira – Mamoré, tida como um dos mais difíceis empreendimentos do Brasil.
1916 – Atingido o pico da milhagem da rede ferroviária norte-americana: 254.000 milhas.
1918 – A Lei da Hora Padrão é aprovada nos EUA, ratificando os fusos horários implantados pelas ferrovias em 1883.
1921 – Criação, pela E. F. Santos a Jundiaí (antiga São Paulo Railway) da primeira Caixa de Aposentadoria e Pensões do setor privado no Brasil.
1922 – Entrada em vigor, no Brasil, do Regulamento para Segurança, Polícia e Tráfego das Estradas de Ferro, substituindo o anterior, que datava de 1857.Eletrificação do trecho Campinas – Jundiaí, da ferrovia Paulista, evento pioneiro no Brasil.
1923 – Consolidação das ferrovias britânicas, com a fusão de 123 empresas em quatro grandes conglomerados (The Big Four).
1925 – A primeira locomotiva diesel-elétrica dos EUA circula na Central Railroad of New Jersey.
1926 – Criada, no Brasil, a Contadoria Geral dos Transportes, destinada a organizar o tráfego mútuo entre as cerca de 150 diferentes estradas de ferro operando no país.
1930 – Trem alemão bate o recorde de velocidade: 230km/h.
Eletrificadas as linhas de subúrbio do Rio de Janeiro, operadas pela E. F. Central do Brasil.

 

IV – 1930-1960

1942 – Criação da Cia. Vale do Rio Doce, que absorveu E. F. Vitória a Minas – EFVM, que se tornaria em pouco tempo a mais importante ferrovia do país.

 

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Locomotiva da EFVM

 

1945 – Edição no Brasil do Decreto 7632, de 12 de junho, criando as taxas de melhoramento e renovação patrimonial das ferrovias, através de alíquota de 10% sobre os fretes.
1947 – Nacionalização das ferrovias britânicas.

*   1947 – Chegada do primeiro trem, da VFFLB, à Caculé, BA  (em 30.12.1947)
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1949 – Primeira aplicação, na França, da tecnologia do trilho continuamente soldado.
*   1949 – Inauguração da Estação Ferroviária de Caculé  (em 1.5.1949, segundo o livro Caculé de Miguelzinho, escrito por José Alves Fróis, em 1967).
** 1950 – segundo placa comemorativa na Estação de Caculé, a estação foi inaugurada em 15.11.1950  (com a presença do Eng. Arthur Castilho, diretor nacional do DNEF – Departamento Nacional de Estradas de Ferro)  [2]

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1950 – Promulgação no Brasil da Lei 1272-A, de 12 de dezembro, criando o Fundo Ferroviário Nacional. Criada a Comissão Mista Brasil – Estados Unidos para o Desenvolvimento Econômico, que lançaria as bases para a reformulação do setor ferroviário brasileiro.
1952 – Ocorrência do maior acidente ferroviário do Brasil, no subúrbio de Anchieta, Rio de Janeiro, resultado do choque de um trem de subúrbio com um trem cargueiro, derivado de um trilho partido, resultando em cerca de 90 mortos e 200 feridos.
1955 – Alcançada na França a velocidade de 330km/h, com um trem tracionado por locomotiva elétrica.
1956 – Promulgação da Lei 2975, de 27 de novembro, concedendo à RFFSA a participação de 10% do imposto único sobre combustíveis líquidos e gasosos ? IUCLG.
1957 – Inaugurada a E. F. Amapá, na bitola internacional (1.435mm) e única no Brasil, destinada ao escoamento de manganês na Serra do Navio, no então território e hoje estado do Amapá.Criação no Brasil da Rede Ferroviária Federal S.A. – RFFSA, resultado da aglutinação de quase duas dezenas de ferrovias controladas pelo governo federal.

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Logomarca RFFSA

 

1958 – Emissão de relatório pelo ICC, órgão regulador dos EUA, onde é dito que o transporte ferroviário de passageiros está se tornando obsoleto e que os carros de passageiros muito em breve farão parte de um museu histórico dos transportes, junto com a carruagem e a locomotiva a vapor.

 

V – 1960-1990

1962 – Promulgada no Brasil a Lei 4102, de 20 de julho, criando o Fundo Nacional de Investimentos Ferroviários – FNIF, composto por uma alíquota de 3% da receita tributária da União e das taxas de melhoramentos, estas últimas fruto do DL 7.632, de 1945, ratificado pelo Decreto 55.651, de 29 de janeiro de 1965.
1963 – Fechamento de 10.000km de ramais antieconômicos na Grã-Bretanha.
1964 – Inauguração da Tokaido Shinkansen (trem-bala japonês).
1967 – Promulgado no Brasil o DL 343, de 28 de dezembro, que destina a alíquota de 8% do imposto sobre combustíveis à RFFSA.
1968 – Erradicadas mais de 72.000km de linhas férreas nos EUA.
1969 – Assinado o primeiro contrato-programa entre o governo francês e a SNCF.Editado no Brasil o DL 615, de 09 de setembro de 1969, que estabeleceu o Fundo Federal de Desenvolvimento Ferroviário, essencialmente composto pela participação da RFFSA no IUCLG (8%) e por 5% do imposto de importação.
1970 – Criação da empresa pública de transporte ferroviário de passageiros nos EUA: a Amtrack, destinada a aliviar as ferrovias privadas desse tipo de serviço, considerado deficitário.Iniciado no Brasil o programa de capacitação da RFFSA para o transporte de minério de ferro, apoiado pelo Bird.
1971 – Criação da Ferrovia Paulista S. A. – Fepasa, pela aglutinação de cinco ferrovias estaduais (Paulista, Sorocabana, Mogiana, Araraquarense e São Paulo – Minas).
1974 – Criação no Brasil do Fundo Nacional de Desenvolvimento, canalizador de recursos anteriormente vinculados a aplicações setoriais.Criada no Brasil a empresa de Engenharia Ferroviária – Engefer, destinada a implantação de empreendimentos ferroviários no país.
1978 – Dado início à implantação da E. F. Trombetas, objetivando o transporte de bauxita no estado do Pará, Brasil.
1979 – Inaugurada a E. F. Jari, destinada a dar suporte à produção de celulose no estado do Pará, Brasil.
1980 – Circula o primeiro trem pendular tipo Talgo na Espanha.Desregulamentação do setor ferroviário norte-americano, com a edição da Lei Stagger.
Erradicados cerca de 8.000km de linhas férreas no Brasil, processo iniciado no início da década de 60.
1981 – Trem de grande velocidade francês atinge a velocidade de 380km/h.
1984 – Criada, por cisão da RFFSA e abosrção da Engefer, a Cia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU, através do DL 2178, que concomitantemente transfere as dívidas da RFFSA para o tesouro nacional.
1985 – Inauguração da E. F. Carajás – EFC, no Norte do Brasil, pela Cia. Vale do Rio Doce, destinada a escoar minério de ferro do estado do Pará.

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Ponte da EFC sobre o rio Tocantins

 

1987 – Dado início à construção, no Brasil, da Ferrovia Norte – Sul, interligando os estados de Goiás, Tocantins, Maranhão e Pará.Privatização das ferrovias japonesas (JNR), com sua subdivisão em seis companias regionais privadas: JR Hokkaido, JR East, JR Central, JR West, JR Shikoku e JR Kyushu.

 

VI – 1990 – 2004

1991 – Iniciados os trabalhos de construção da Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel, estado do Paraná, Brasil.
1992 – Dado início à construção do trecho inicial da Ferronorte, interligando os estados de São Paulo e Mato grosso do Sul, Brasil.
1993 – Privatização da British Rail, após sua segmentação em cerca de cem empresas.Privatização dos Ferrocarriles Argentinos – FA.
1994 – Inauguração do túnel do canal da Mancha, ligando a Inglaterra à França.
1996 – Privatizadas, no Brasil, as malhas centro-leste, sudeste e oeste da RFFSA, sendo as novas concessionárias a Ferrovia Centro – Atlântica – FCA, MRS Logística e Ferrovia Novoeste, respectivamente.

 

1997 – Privatizadas, no Brasil, as malhas sul e Tereza Cristina da RFFSA, sendo as novas concessionárias a Ferrovia Sul – Atlântica (atualmente América Latina Logística – Delara) e Ferrovia Teresa Cristina – FTC, respectivamente. Privatizado um trecho da ferrovia estadual do Paraná (Ferroeste), assumido pela Ferrovia Paraná – Ferropar.

 

1998 – Privatizadas, no Brasil, as malhas nordeste e paulista da RFFSA, sendo as novas concessionárias a Cia. Ferroviária do Nordeste – CFN e Ferrovia Bandeirantes – Ferroban, respectivamente.

 

 


Fonte: 

transcrição do site da ATNF, página  “Informações do Setor – Cronologia Histórica Ferroviária”  – http://www.antf.org.br/index.php/informacoes-do-setor/cronologia-historica-ferroviaria  – acessado em 21.2.2016

[2]   Foto e informação adicional de Thomas Sachsse, incluída em 18.7.2017.

 

 

 

 

 

Nos Trilhos do Trem Baiano: Da Instalação a Extinção do Transporte Ferroviário de Passageiros e seus Impactos no Modo de Vida no Norte de Minas Gerais

Dissertação intitulada “Nos Trilhos do Trem Baiano: da Instalação a Extinção do Transporte Ferroviário de Passageiros e seus impactos no modo de vida no Norte de Minas Gerais” de autoria da Mestranda Maria Natividade Maia e Almeida, apreciada pela banca examinadora em 17 de Junho de 2013, constituída pelos professores:

Prof. Dr. Clóvis Roberto Zimmermann (UFBA – Orientador)
Profª. Dra. Maria Da Luz Alves Ferreira (UNIMONTES – Examinadora)
Prof. Dr. Herbert Toledo Martins (UFRB – Examinador)
CACHOEIRA, BAHIA, JUNHO DE 2013.

O Estado brasileiro na década de 1990, atendendo as diretrizes do Consenso de Washington, desenvolveu o Plano Nacional de Desestatização, com o qual procurava adaptar o Estado ao modelo neoliberal, adequando-se ao estado mínimo.
Assim, em 1996, ocorreu a privatização do transporte ferroviário de cargas no Brasil e indicou a extinção do transporte ferroviário de passageiros.

O objetivo deste trabalho foi compreender os impactos no modo de vida da população estabelecida às margens da ferrovia entre os municípios de Montes Claros e Monte Azul, no norte de Minas Gerais, tendo como foco as comunidades de Orion, Quem-Quem e Tocandira, a partir da instalação, privatização do transporte ferroviário de cargas e da extinção do transporte ferroviário de passageiros.
Utilizou-se a metodologia qualitativa, desenvolvendo um estudo exploratório, descritivo e analítico. As ferramentas de coleta de dados utilizadas foram Snowball, entrevista em profundidade a 15 moradores das três comunidades, estudo da documentação legal referente à privatização, leilão e concessão da exploração do serviço de transporte ferroviário. Para análise dos resultados utilizou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin.

Os resultados alcançados permitem afirmar que a instalação da ferrovia a partir de 1940, na região, foi fator de estímulo ao desenvolvimento, povoamento e surgimento de cidades e pequenas localidades, consolidando um novo modo de vida.
A privatização e desativação do transporte de cargas e de passageiros em 1996 causaram impactos neste modo de vida. Muitos perderam a atividade laboral, famílias se mudaram das localidades que ficaram sem qualquer tipo de transporte.
O governo não preparou e nem teve uma relação de atenção a estas comunidades atingidas por sua ação, condizendo com a perspectiva neoliberal.
Os programas de renda mínima e outras políticas públicas possibilitaram a sobrevivência e melhoria de vida de uma parcela da população brasileira em todo o país. Ocorreu ampliação do mercado de trabalho em áreas como lavoura e construção civil.
A estruturação da malha rodoviária na região permite afirmar que o transporte ferroviário, permanecendo sua oferta nos moldes em que foi interrompido, dificilmente atenderia as exigências de rapidez em que se insere esta outra modalidade.

Para ler a dissertação na íntegra (em PDF), acessar o link :
http://www.repositorio.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/778/1/Dissertao_Maria_Natividade_Maia_e_Almeida%20Copy.pdf

 

Fonte:  Dissertação de autoria da Mestranda Maria Natividade Maia e Almeida, apreciada pela banca examinadora em 17 de Junho de 2013, na  UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA – UFRB  (PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS: CULTURA, DESIGUALDADE E DESENVOLVIMENTO)  – http://www.repositorio.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/778/1/Dissertao_Maria_Natividade_Maia_e_Almeida%20Copy.pdf  – acessado em 21.2.2016

 

 

A privatização da RFFSA e seus reflexos no norte de Minas Gerais: a retirada do trem de passageiros

“A privatização da RFFSA e seus reflexos no norte de Minas Gerais: a retirada do trem de passageiros”

Maria Natividade Maia e Almeida

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Neste artigo buscou-se constituir um panorama do processo de desestatização implementado no Brasil a partir dos anos 1990, para tanto se fez necessário buscar as raízes da discussão deste processo, retomando ao ano de 1970, momento no país em que começam ocorrer discussões sobre o modelo do Estado e das diretrizes econômicas que conflitavam com as novas tendências da política econômica internacional que assinalavam para um Estado mínimo, que se detivesse na oferta de bens e serviços em áreas determinadas como essenciais ao aporte da população. O processo de privatização ocorrido a partir da década de 1980 foi remodelado e intensificado na década de 1990, inserindo em seu bojo áreas de oferta de bens e serviços onde se inseriu a exploração do setor de transporte em suas quatro modalidades.

Analisou-se a privatização da Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima –RFFSA – e a concessão da exploração do transporte Ferroviário de cargas pesadas a diferentes empresas privadas. Para nosso estudo é importante focar o que ocorreu com o transporte de passageiros a partir deste processo de concessão e os reflexos da nova política adotada pela concessionária para a oferta de seus serviços, principalmente a partir da perspectiva das localidades situadas as margens da estrada de ferro no Norte de Minas Gerais, que a partir desta remodelação passaram por mudanças em sua organização econômica, social e produtiva. Discute-se aqui como se deu esta privatização e as manifestações da sociedade civil sobre o fim do trem de passageiros.

Leia o trabalho completo acessando o link (artigo em formato PDF):  http://congressods.com.br/terceiro/images/trabalhos/GT8/pdfs/maria_natividade_maia.pdf

 

Fonte: transcrição do Artigo – http://congressods.com.br/terceiro/images/trabalhos/GT8/pdfs/maria_natividade_maia.pdf  – acessado em 20.2.2016

De Trem: Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG

“A Linha do Trem, um Caminho Esquecido” é um documentário produzido pela TVE-BA em 2001, com direção, roteiro e edição do repórter Robson do Val, que conta um pouco da história da ferrovia RFFSA (SR-7) – atual FCA –  a bordo de um trem cargueiro, partindo de Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG.
História e a beleza das ferrovias baianas neste pioneiro documentário dirigido pelo jornalista Robson do Val.

Em uma viagem de 40 horas, Robson do Val acompanha, dia e noite, da cabine de uma locomotiva U-20 da FCA – Ferrovia Centro Atlântica.

Esse é o trem de cargas que trafega diariamente,  passando por cidades como Brumado, Rio do Antonio, Caculé, Licínio de Almeida, Urandi, Espinosa e Monte Azul; seguindo para Montes Claros.

Participação do Caculeense: Antonio Coutinho !

Fonte: Video publicado na página “Verde Trem” no Youtube – https://youtu.be/5B213nnhneg – acessado em 22.1.2016

 

 

 

Viação Férrea Federal Leste Brasileiro

A VFFLB – Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (fundada em 1935) era formada por 5 ferrovias, construídas em épocas diferentes que foram unificadas:

– Estrada de Ferro Santo Amaro

– Estrado de Ferro Central da Bahia – EFCBH

– Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco

– Estada de Ferro Petrolina a Teresina

– Estrada de Ferro Centro-Oeste da Bahia

 

As seguintes estradas de ferro não faziam parte da VFFLB:

Estrada de Ferro de Ilhéus

Estrada de Ferro Bahia e Minas – EFBM

Estrada de Ferro de Nazareth – TRN

 

Em 1910 é fundada a Rede de Viação Férrea Federal da Bahia, para a ligação com a Estrada de Ferro Bahia e Minas – EFBM, e sua incorporação à rede ferroviária da Bahia.

Surge, então, a “Compagnie des Chemins de Fer Fédéraux de L’Est Bréslien” – CCFFEB – (empresa de capital belga e francês),  e previa o prolongamento de linhas e ramais desta rede, além da aquisição de estradas de ferro estaduais.

Em 1935, o governo de Getúlio Vargas passa todos os serviços e bens da empresa “Compagnie des Chemins de Fer Fédéraux de L’Est Bréslien” para o controle da União.  Surge a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro – VFFLB, cuja extensão era de 2.545 km,  tornando-se um dos principais sistemas ferroviários do Brasil.

Em 1938 a VFFLB foi a primeira empresa a utilizar as locomotivas diesel-elétricas.

As primeiras 3 locomotivas diesel-elétricas, da VFFLB, foram fabricadas pela English Electric  (a mesma fabricante do sistema de tração para a Redes Ferroviárias do Nordeste e da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. Cada locomotiva tinha 450hp e numeração: 600, 601 e 602.

Em 1943/1944, a VFFLB adquiriu oito locomotivas Davenport (numeradas 603 a 610), porém todas foram sucateadas a partir de 1960.

Em 1957 a VFFLB foi encampada pela RFFSA,  transformando-a na 4ª Divisão Operacional Leste em 1969.

Em 1976 a Leste Brasileiro foi incorporada à Superintendência Regional 1 – SR 1 – com sede em Recife, PE.

Em 1979 é alterada para Superintendência Regional 7 – SR7 – cuja sede era em Salvador, BA.

Nos anos 1990, com as ideias e estudos de desestatização, foi incorporada à Malha Centro-Leste.

Em 1996  a empresa FCA – Ferrovia Centro-Atlântica assume a concessão.

 

A VFFLB possuia as seguintes linhas e ramais:

Linha-tronco (Salvador-Alagoinhas)
Linha do Sul (Mapele-Monte Azul)  –  passando por Caculé
Linha Norte (Alagoinhas-Propriá)
Linha Centro-Sul (Senhor do Bonfim-Iaçu)
Ramal de Itaité (Queimadinhas-Itaetê)
Ramal de Feira de Santana (Conceição da Feira-Feira de Santana)
Ramal de Catuiçara (Buranhém-Catuiçara)
Ramal de Capela (Murta-Capela)
Ramal de Campo Formoso (Itinga-Campo Formoso)

 

Fontes:
– Livro “Ferrovia Centro-Atlântica – Uma Ferrovia e suas Raízes” – José Emílio de Castro Horta Buzelin e João Bosco Setti – 2001 – Sociedade de Pesquisa para Memória do Trem.

– diversos artigos na internet