Igreja Matriz Sagrado Coração de Jesus

Em 1860, Dona Rosa doou um terreno  ao “Sagrado Coração de Jesus” para ser erguida uma capela sob essa invocação.
A paróquia Sagrado Coração de Jesus de Caculé foi fundada em 1902 e é pertencente à diocese de Caetité.

 

Filmado em maio de 2015:

 

Vista aérea da cidade  - BA28217
foto aérea, sem data, com a antiga igreja matriz, cine teatro Eng. Dórea, o Paço e parte da cidade, disponível no IBGE

A História:

Em 1860, Dona Rosa doou um terreno ao Sagrado Coração de Jesus para ser erguida uma capela sob essa invocação, no local onde, atualmente, se ergue a cidade. No entanto, a ideia de construir essa primeira capela foi de Dona Ana Tereza, mãe de Dona Rosa.
Com a morte da sua genitora que não teve a satisfação de ver o seu ideal religioso concretizado, Dona Rosa se empenhou para a construção desse sonho.
Com o término das obras, a primeira missa foi celebrada pelo Padre Joaquim Pedro Garcia Leal, sobrinho de Dona Rosa Prates e Vigário de Umburanas.
Além disso, Dona Rosa Prates também fez um testamento dando alforria para todos os seus escravos da Fazenda, além de deixar vários pedaços de terra entre todos eles, afim de que os mesmo pudessem se manter após a sua morte. [3]

Com a construção da Capela, a alforria dos escravos que tinham terra para plantar, juntamente com a presença da estrada real que cortava a região e dava acesso aos viajantes, se formou ali, com o passar do anos, um vilarejo que foi se desenvolvendo de forma promissora.
Assim, em 23 de julho de 1880, essa região do Santíssimo Coração de Jesus de Caculé foi eleva a “Distrito de Paz” por meio da Lei Provincial de n° 2.093.
Vinte e dois anos depois, em agosto de 1902, devido ao amplo progresso da região de Caculé, a sede da freguesia foi transferida para lá por ato do Arcebispo da Bahia na época, Dom Jerônimo Tomé da Silva. [3]

 

 


O Pároco:

Padre Gilvan Pereira Rodrigues, atual pároco da paróquia Sagrado Coração de Jesus de Caculé e administrador da diocese de Caetité-BA, completa 16 anos de vida sacerdotal* no dia 17 de outubro de 2015, exercendo esse sublime ministério com sabedoria e de coração aberto.

“Nós o parabenizamos neste dia tão especial para o senhor e para nós que temos o grato privilégio de fazer parte de sua jornada missionária. Agradecemos pelo seu contínuo zelo e louvamos a Deus pelo dom de sua vida. Que o Espírito Santo o ilumine sempre, também concedendo-lhe saúde e paz.
Padre Gilvan, parabéns! Abraço carinhoso.
Pastoral da Comunicação Diocesana”  [4]

* Vale lembrar que padre Gilvan fez aniversário natalício no dia 19 de setembro. [4]

O Colégio de Consultores da Diocese de Caetité, reunido no dia 4 de agosto de 2015, no CTL, em Caetité, escolheu o Administrador Diocesano para o período de Sede Vacante.
O escolhido foi o Padre Gilvan Pereira Rodrigues, 42 anos de idade e 16 anos de ministério, pároco de Caculé e até então Coordenador Diocesano de Pastoral.
“Que a Palavra do Santo Evangelho da liturgia de hoje lhe motive e fortaleça: “Não tenham medo! Sou eu mesmo!” disse o Senhor aos discípulos medrosos no meio do mar…
Padre Eutrópio”

 


 

A Paróquia:

endereço: Praça Coração de Jesus, 125
Pároco: Padre Gilvan Pereira Rodrigues
Secretário paroquial: Denis Silva Lopes, substituindo Matheus Souza, que ficou na função até dezembro de 2014.

 

 

 


 

Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Coração de Jesus existe desde os primeiros tempos da Igreja, desde que se meditava no lado e no Coração aberto de Jesus, de onde saiu sangue e água. Desse Coração nasceu a Igreja e por esse Coração foram abertas as portas do Céu.

A devoção ao Coração divino de Jesus Cristo começou a ser praticada, em sua essência, já no início da Igreja, pois os Santos tiveram muito presente, ao honrar a Jesus Cristo, que tinha manifestado seu Coração, símbolo de seu amor em momentos augustos. Contudo, esta devoção, em sua forma atual, deve-se às revelações que o próprio Cristo fez a Santa Margarida Maria (1649-1690), sobretudo quando em 16 de junho de 1657, descobrindo seu Coração, disse-lhe:

“Eis aqui este Coração que amou tanto aos homens, que não omitiu nada até esgotar-se e consumir-se para manifestar-lhes seu amor, e por todo reconhecimento, não recebe da maior parte mais que ingratidão, desprezo, irreverências e tibieza que têm para mim neste sacramento de amor”.

Oferecimento ao Sagrado Coração de Jesus – Meu dulcíssimo Jesus, que em vossa infinita e dulcíssima misericórdia prometestes a graça da perseverança final aos que comungarem em honra de vosso Sagrado Coração as nove primeiras sextas feiras do mês seguidos: recordai a vossa promessa, e a mim, indigno servo vosso, que acabo de receber-vos sacramentado com este fim e intenção, concede-me que morra detestando todos os meus pecados, esperando em vossa inefável misericórdia e amando a bondade de vosso amantíssimo Coração. Amém.

Promessas do Sagrado Coração de Jesus – Principais promessas feitas pelo Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida de Alacoque: às almas consagradas a meu Coração, lhes darei as graças necessárias para seu estado;darei paz às famílias; as consolarei em todas suas aflições; serei seu amparo e refúgio seguro durante a vida, e principalmente na hora da morte; derramarei bênçãos abundantes sobre seus projetos; os pecadores encontrarão em meu Coração a fonte e o oceano infinito de misericórdia; as almas tíbias se tornarão fervorosas; as almas fervorosas serão rapidamente elevadas a grande perfeição; abençoarei as casas em que a imagem de meu Sagrado Coração estiver exposta e for honrada; darei aos sacerdotes a graça de mover os corações empedernidos; as pessoas que propagarem esta devoção, terão escrito seu nome em meu Coração e jamais será apagado dele; a todos os que comungarem nove primeiras Sextas-feiras do mês contínuos, o amor onipotente de meu Coração lhes concederá a graça da perseverança final.

A grande promessa: a Eucaristia – Entre as muitas e ricas promessas que Jesus Cristo fez aos que fossem devotos de seu Sagrado Coração, sempre chamou a atenção a que fez aos que comungassem em sua honra as nove primeiras sextas-feiras do mês seguidos. É tal, que todos a conhecem com o nome da Grande Promessa.  [1]

 


 

 

Fontes:
[1]   site da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Caculé – https://scjcacule.wordpress.com/sobre/   –  acessado em 8.3.2016
[2]  livro “Caculé de Miguelzinho”
[3]   site Wikipedia, página de Caculé – https://pt.wikipedia.org/wiki/Cacule – acessado em 10.3.2016
[4]  site da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, Caculé  – https://scjcacule.wordpress.com/ – acessado em 10.3.2016

 

 

 

 

 

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Caculé e a busca pela neo-humanização

Caculé e a busca pela neo-humanização
Por Fabíola Aquino Coelho – transcrição do artigo publicado no site IRDEB
Cineasta e jornalista

Estou de volta para partilhar com o leitor os objetivos que me norteiam na produção do curta que irá misturar documentário e ficção, intitulado provisoriamente de Caculé uma cidade do milênio, sob a minha direção.

O filme se utiliza de múltiplas possibilidades artísticas para contar de forma atrativa a história desta pequena cidade do Território de Identidade Sertão Produtivo no interior da Bahia, exitosa na implementação de políticas públicas relevantes e promotoras da cidadania.

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A parte documental irá mostrar as ações que convergem para a consecução das 8 objetivos do milênio: erradicar a extrema pobreza e a fome; atingir o ensino básico universal; promover a igualdade entre os sexos e a valorização da mulher; reduzir a mortalidade infantil; melhorar a saúde das gestantes; combater a AIDS, a malária e outras doenças; garantir a qualidade de vida e respeito ao meio ambiente; estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento sustentável, destacando que é fundamental: o protagonismo da sociedade civil organizada.

Com esse recorte temático associado ao desejo de transmitir a ‘neo-humanização’ (amor verdadeiro por toda a vida seja ela mineral, vegetal ou animal) pretendemos promover a auto-estima e reafirmar o protagonismo das pessoas envolvidas nas ações que levaram Caculé a estar entre as seis selecionadas no Brasil em destaque na Conferência Internacional de Cidades Inovadoras de 2011.

A parceria com a população e amigos de Caculé irá buscar as narrativas do cotidiano com abordagens inusitadas, estimulando olhares sobre as 8 metas da ONU para o desenvolvimento sustentável do milênio, oportunizando aos moradores da cidade a experiência de atuar e participar da produção de um audiovisual;

Para abrilhantar essa produção contaremos com o talento de Antonio Pompêo que é ator e diretor, paulista de São José do Rio Preto, que teve em sua trajetória grandes experiências no teatro, cinema e televisão. Começou como ator de teatro amador, mas foi com o cinema que sua carreira mudou ao participar do filme Quilombo de Cacá Diegues, com o qual foi ao Festival de Cannes de 1985. Como ator fez também: Xica da Silva com direção de Cacá Diegues, Se Segura Malandro, de Hugo Carvana, As Aventuras de Ojuara, direção de Moacir Góes, O Xangô de Baker Street, de Miguel Faria Jr, entre outros.

No teatro encenou Dois Perdidos Numa Noite Suja, O Último Carro e Anjo Negro. Na televisão: Tenda dos Milagres, Sinhá Moça, Mulheres de Areia, Pecado Capital, Rei do Gado e a série A Casa das Sete Mulheres.

É, um dos idealizadores do projeto “A Cor da Cultura”, junto ao Canal Futura e Fundação Roberto Marinho. Dirigiu a série de sete documentários chamado “Mojubá” para o projeto A Cor da Culturado Canal Futura.

Atualmente Antonio Pompêo participa da novela “Rebelde” na TV Record e é nosso parceiro neste projeto onde irá atuar na parte ficcional como o mestre griô no doc-fic Caculé uma cidade do milênio.

Partilho com vocês todos esses anseios e comunico que estamos em busca de patrocínio para viabilizar as idéias apresentadas. O custo de produção deste trabalho é de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais) para finalizar com um filme de 26 minutos. É possível diferentes modos de participação na captação deste recurso como também na produção direta do filme.

Os apoios podem ser aportados no projeto via incentivo direto, em forma de prestação de serviços, ou na participação direta das filmagens, como personagens ou figuração. Cada parceiro será creditado no final do filme de acordo com sua participação, podendo ser elenco, apoio ou patrocínio. Se você tem interesse em ser um destes colaboradores entre em contato comigo pelo email fabiola.aquino@gmail.com e seguiremos em contato. Nosso próximo texto irá apresentar um pouco mais sobre a equipe técnica que compõe esse projeto.

 

Fonte:  transcrição do site IRDEB – http://www.irdeb.ba.gov.br/evolucaohiphop/?p=3976 – acessado em 22.2.2016

 

 

 

 

Nos Trilhos do Trem Baiano: Da Instalação a Extinção do Transporte Ferroviário de Passageiros e seus Impactos no Modo de Vida no Norte de Minas Gerais

Dissertação intitulada “Nos Trilhos do Trem Baiano: da Instalação a Extinção do Transporte Ferroviário de Passageiros e seus impactos no modo de vida no Norte de Minas Gerais” de autoria da Mestranda Maria Natividade Maia e Almeida, apreciada pela banca examinadora em 17 de Junho de 2013, constituída pelos professores:

Prof. Dr. Clóvis Roberto Zimmermann (UFBA – Orientador)
Profª. Dra. Maria Da Luz Alves Ferreira (UNIMONTES – Examinadora)
Prof. Dr. Herbert Toledo Martins (UFRB – Examinador)
CACHOEIRA, BAHIA, JUNHO DE 2013.

O Estado brasileiro na década de 1990, atendendo as diretrizes do Consenso de Washington, desenvolveu o Plano Nacional de Desestatização, com o qual procurava adaptar o Estado ao modelo neoliberal, adequando-se ao estado mínimo.
Assim, em 1996, ocorreu a privatização do transporte ferroviário de cargas no Brasil e indicou a extinção do transporte ferroviário de passageiros.

O objetivo deste trabalho foi compreender os impactos no modo de vida da população estabelecida às margens da ferrovia entre os municípios de Montes Claros e Monte Azul, no norte de Minas Gerais, tendo como foco as comunidades de Orion, Quem-Quem e Tocandira, a partir da instalação, privatização do transporte ferroviário de cargas e da extinção do transporte ferroviário de passageiros.
Utilizou-se a metodologia qualitativa, desenvolvendo um estudo exploratório, descritivo e analítico. As ferramentas de coleta de dados utilizadas foram Snowball, entrevista em profundidade a 15 moradores das três comunidades, estudo da documentação legal referente à privatização, leilão e concessão da exploração do serviço de transporte ferroviário. Para análise dos resultados utilizou-se a técnica de análise de conteúdo de Bardin.

Os resultados alcançados permitem afirmar que a instalação da ferrovia a partir de 1940, na região, foi fator de estímulo ao desenvolvimento, povoamento e surgimento de cidades e pequenas localidades, consolidando um novo modo de vida.
A privatização e desativação do transporte de cargas e de passageiros em 1996 causaram impactos neste modo de vida. Muitos perderam a atividade laboral, famílias se mudaram das localidades que ficaram sem qualquer tipo de transporte.
O governo não preparou e nem teve uma relação de atenção a estas comunidades atingidas por sua ação, condizendo com a perspectiva neoliberal.
Os programas de renda mínima e outras políticas públicas possibilitaram a sobrevivência e melhoria de vida de uma parcela da população brasileira em todo o país. Ocorreu ampliação do mercado de trabalho em áreas como lavoura e construção civil.
A estruturação da malha rodoviária na região permite afirmar que o transporte ferroviário, permanecendo sua oferta nos moldes em que foi interrompido, dificilmente atenderia as exigências de rapidez em que se insere esta outra modalidade.

Para ler a dissertação na íntegra (em PDF), acessar o link :
http://www.repositorio.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/778/1/Dissertao_Maria_Natividade_Maia_e_Almeida%20Copy.pdf

 

Fonte:  Dissertação de autoria da Mestranda Maria Natividade Maia e Almeida, apreciada pela banca examinadora em 17 de Junho de 2013, na  UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA – UFRB  (PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS SOCIAIS: CULTURA, DESIGUALDADE E DESENVOLVIMENTO)  – http://www.repositorio.ufrb.edu.br/bitstream/123456789/778/1/Dissertao_Maria_Natividade_Maia_e_Almeida%20Copy.pdf  – acessado em 21.2.2016

 

 

O Trem do Sertão

Trem de passageiros que partia de Belo Horizonte para a cidade de Monte Azul, na extremidade da lendária Linha do Centro, da Central do Brasil. Ali os passageiros baldeavam para a linha da antiga V. F. F. Leste Brasileiro, e seguiam por ela, passando por Caculé, até Salvador.

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o trem MO-02, vindo de Monte Azul, MG, com destino a Montes Claros, chegando à estação de Janaúba, fotografado ainda em movimento. (foto: Tarcisio de Souza)

O Trem do Sertão, com o tempo e a decadência da ferrovia, foi diminuindo cada vez mais seu percurso, até que, nos últimos anos, se resumia ao trecho entre Montes Claros e Monte Azul. Era esse trem que movimentava a economia das pequenas cidades pelas quais passava. Com a privatização, ele foi extinto, em maio de 1996. Um verdadeiro crime a extinção desse trem quando ainda havia passageiros lotando as composições, movimentando a frágil economia da região. Em 1992, ele ainda partia de Belo Horizonte e passava por Sete Lagoas.

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a imponente locomotiva nº 4058 tracionando o trem de passageiros MO-02, parado na estação de Janaúba, MG. Minutos depois partiria com destino a Montes Claros, MG. No interior da estação, o intenso movimento de passageiros. (foto: Tarcisio de Souza)

 

Abaixo:  horário do Trem do Sertão, quando ainda partia de Belo Horizonte, em 1978.
(Guia Levi, março de 1978)

 

Origem da linha:
A linha do Centro, da antiga Central do Brasil, foi inaugurada em trechos, desde o longínquo ano de 1858, quando foi aberto o primeiro trecho na cidade do Rio de Janeiro, até 1948, quando a linha chegou a Monte Azul, no sertão mineiro, próximo à divisa com a Bahia, num percurso de mais de mil quilômetros.
A partir de Itabirito, a linha passava de bitola larga para a métrica. O trecho por onde passava o trem do sertão remanescente, ou seja, o que existia quando foi suprimido em 1996, Montes Claros-Monte Azul, foi aberto ao tráfego em pequenos trechos entre os anos de 1942 e de 1948, quando chegou até o seu ponto máximo, encontrando a linha da Viação Férrea Federal do Leste Brasileiro.
A linha do Centro existe até hoje com o tráfego apenas de trens cargueiros, com exceção da parte próxima ao Rio de Janeiro, por onde trafegam trens metropolitanos de passageiros.

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a estação de Janaúba, momentos antes da chegada do trem de passageiros, em abril de 1995, vindo de Monte Azul com destino a Montes Claros. Mais de 60 pessoas aguardavam a chegada do trem. Observe as linhas modernas do prédio da estação e, na plataforma, caixas de doces para embarque. (foto Tarcisio de Souza)
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a estação original de Monte Azul, depois substituída por outra, de estilo mais moderno, ponto final do Trem do Sertão e de ligação com os trens da V. F. F. Leste Brasileiro com destino a Salvador (Acervo Jorge A. Ferreira)

 

Comentários:
“Andei no Trem do Sertão em 1971. Chegou a Monte Azul de madrugada, e todos tinham que desembarcar para a plataforma, com malas e trouxas, para aguardar o trem que vinha da Bahia. Chegou no outro dia, no meio da tarde” (Flavio Cavalcanti, 2006). Nesse tempo, o trem ainda era parte do Trem Baiano, ou seja, uma viagem que exigia baldeações desde São Paulo até Salvador, devido a bitolas e superintendências regionais da RFFSA diferentes por todo o percurso.

A partir dos anos 1980, passou a ser apenas o Trem do Sertão, apenas ligando Montes Claros a Monte Azul, indo e voltando.
A baldeação em Monte Azul acabou em 1978, pois o trem para Salvador parou nesse ano. Segundo Tarcísio de Souza, em 1995, o Trem do Sertão era composto por 8 carros: 1 bagageiro com cabine para o chefe do trem, 4 carros de segunda classe e dois de primeira, completamente lotados. A tração era feita pela locomotiva nº 4058.

Segundo informações colhidas com o agente da estação de Janaúba, na época, Sr. Jorge Luiz, os trens de passageiros que circulavam entre Montes Claros e Monte Azul tinham em 1995 o seguinte horário:
Terças e Quintas: partida de Montes Claros às 7h00, chegada a Monte Azul às 13h20;
Quartas e Sextas: partida de Monte Azul às 7h15, chegada a Montes Claros às 13h30.
“No início dos anos 1970 fiz o trecho Belo Horizonte, MG a Brumado, BA, na verdade foram 2 trens, com baldeação em Monte Azul, MG. Chegamos ali altas horas da noite, o gado humano (inclusive crianças e velhinhas) desembarcou com as respectivas trouxas e se amontoou na plataforma durante toda a madrugada (gelada) e também ao longo da manhã seguinte (com o sol esquentando rapidamente). Não lembro se havia sombra suficiente para todos, ou talvez sombra nenhuma. A certa altura, soubemos que o trem ainda ia demorar muito, e aproveitamos para dar uma volta pela cidade, inclusive encontrar uma pensão onde pudéssemos tomar banho mediante modesta remuneração. Constatamos que, pelo simples fato de Monte Azul estar fora do eixo de densidade de trânsito (a BR-116, a uns 180 km dali), a mentalidade local estava, como que uns 10 anos atrasada em relação ao resto do Brasil e da própria região da BR. O gado humano que baldeava ali não trazia grande “atualização” aos moradores locais. O trem baiano chegou só no outro dia, tipo 13 horas (não tenho certeza)” (Flávio Cavalcanti, 15/10/2007).

 

“Era o trem que levava até Pai Pedro, para a feira dos domingos, a freguesia da produção de Joel – os vizinhos da linha. A feira (de Pai Pedro) era uma festa. E o mais gostoso dela, os biscoitos de araruta de Tocandira. Aliás, Tocandira vivia dos biscoitos. Os homens plantavam a araruta, as mulheres suavam no forno e as velhas e crianças vendiam aos passageiros pela janela nas paradas de um minuto – religiosamente. E o progresso foi tanto que um tocandirense ilustre, como José Maria Sousa, chegou a ser o maior tomador de empréstimo no Banco do Brasil de Porteirinha. Até 1989, Zé Maria colhia de 7 a 8 mil arrobas de algodão por ano. ‘Fui um dos primeiros daqui a ter antena parabólica e consegui formar quatro filhos, hoje doutores em Janaúba”. O quinto vai ser mais difícil. Zé Maria vendeu dois tratores, uma caminhonete e onze reses para pagar o Banco do Brasil – que já desistiu de receber o resto. O fim da linha em 1996 complicou muito a vida em Tocandira. Afinal, entre o apito da chegada e o da partida, o trem deixava pelo menos cem reais no distrito. O próprio armazém que Zé Maria abriu recentemente, numa tentativa de mudar de ramo e superar o baque, não vai lá muito bem das pernas. Nas prateleiras de ripa, os vazios são maiores do que os espaços enfeitados pela meia dúzia de pacotes de bolacha, maços de cigarro Plaza, pacotes amarelos de fósforo, latas de óleo de soja e umas garrafas de dois litros de refigerante. ‘Tirar o trem foi tomar pão da boca de criança com fome’, diz Zé Maria. Exatamente. Pesquisa da Pastoral do Menor apurou que todas as crianças de lá estão subnutridas. Todas. E formam, em rodas de suas mães e avós, maioria da população restante. Quase todos os homens resolveram trocar a miséria sertaneja pelos cafezais do Sul de Minas, pelos canaviais paulistas ou pelas favelas paulistanas. Os velhos se apressam em abandonar o planeta – basta ver as datas nas cruzes do pequeno cemitério do distrito – e ‘menina mal espera completar 15 anos para ir embora’. De trem, não se partia tanto.” (O trem bom passa direto, Gazeta Mercantil, 3/9/1998)

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Vendedores na estação de Tocandira e o Trem do Sertão, em 1996, em uma de suas últimas viagens (Foto Gazeta Mercantil, 03/09/1998)

 


“Nota: As informações contidas nesta página foram coletadas em fontes diversas, mas principalmente por entrevistas e relatórios de pessoas que viveram a época. Portanto é possível que existam informações contraditórias e mesmo errôneas, porém muitas vezes a verdade depende da época em que foi relatada. A ferrovia em seus 150 anos de existência no Brasil se alterava constantemente, o mesmo acontecendo com horários, composições e trajetos (o autor).”

 

Fonte: transcrição do site Estações Ferroviárias – http://www.estacoesferroviarias.com.br/trens_mg/tremsertao.htm – acessado em 19.2.2016

 

 

Migrantes em São Paulo

Quando vim da minha terra,
não vim, perdi-me no espaço,
na ilusão de ter saído.
Ai de mim, nunca saí.

Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios.

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Em 25.1.2016, São Paulo comemora 462 anos de sua fundação!

 

Para entender melhor os contrastes e o emaranhado de culturas que povoam o Estado de São Paulo não dá para deixar de falar da migração. Aqui o turista mais desavisado se surpreende com a estranha união do feijão-de-corda com o pão-de-queijo que, por sua vez, convivem em total harmonia com o forró e a música sertaneja. Tudo isso regado a um bom churrasco com chimarrão. É possível encontrar em São Paulo cada pedacinho do Brasil com seus sotaques e culinárias dos mais variados. Afinal, o Estado de São Paulo se transformou num dos mais importantes pólos de atração de fluxos migratórios. O rápido desenvolvimento da região, a oportunidade de emprego e o sonho de uma vida melhor fizeram dessa terra o que é hoje: uma Torre de Babel. Em estatística feita em 1959 constatou-se que o processo migratório para São Paulo começou em 1901. Naquele primeiro ano, o registro de entrada de nacionais no Estado de São Paulo apontou 1.434 pessoas. No mesmo período, o número de estrangeiros aportados em São Paulo foi de 70.348 pessoas. Foi em 1923 que teve início a intensificação do fluxo de nordestinos, mineiros e fluminenses para São Paulo.

Em 1935, o governo de Armando Salles de Oliveira decidiu estimular a migração para São Paulo, com o objetivo de suprir a lavoura de mão-de-obra. Por iniciativa daquele governo foi estipulada, pelo sistema de contratos com companhias particulares, a introdução de trabalhadores mediante a seguinte subvenção: pagamento de passagem, bagagem e um pequeno salário para a família. As firmas contratadas pelo governo para trazer trabalhadores de outros Estados passaram a operar com afinco no Nordeste do país e no Norte do Estado de Minas Gerais. Em 1939 o Departamento de Imigração e Colonização foi reorganizado e criou-se a Inspetoria de Trabalhadores Migrantes com a finalidade de substituir as firmas particulares no serviço de migração subsidiada. Quando as famílias chegavam a São Paulo eram recebidas na Hospedaria do Imigrante e daí distribuídas pelo Estado. Com o estímulo dado pelo governo, as entradas passaram a ser maciças, atingindo em 1939 a casa dos 100 mil.

Durante o período de 1941 a 1949 só o Departamento de Imigração e Colonização de São Paulo encaminhou à lavoura do Estado 399.937 trabalhadores procedentes de outros Estados do Brasil. Nesta época, na Europa acontecia a II Guerra Mundial e a imigração de europeus reduziu drasticamente. Os 12 municípios que maior número de migrantes receberam (399.927) foram Presidente Prudente, Rancharia, Marília, Martinópolis, Andradina, Presidente Venceslau, Santo Anastácio, Pompéia, Valparaiso, Araçatuba e Presidente Bernardes. Mas foi nas décadas de 1950 e 1960 que se verifica a efetiva industrialização do Estado e a conseqüente abertura de um mercado de trabalho de dimensões amplas, uma vez que o processo de crescimento industrial, por seus efeitos multiplicadores levou também a uma substancial ampliação do setor terciário. A migração em 1950 apresentava o seguinte quadro: Minas Gerais contribuiu com quase 50% do fluxo. A Bahia é o Estado que mais contribuiu depois de Minas Gerais, com 17,56% do fluxo. Somente estes dois Estados representavam 65,04% do fluxo. Migrantes de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí representavam menos de 15%.

O fato de Minas Gerais ser um Estado vizinho de São Paulo, é um motivo a mais a determinar o grande fluxo migratório. O aumento do peso da migração vinda do Nordeste é em grande parte devido às secas que atingiram a região na década de 1950. Outro fator determinante foi a conclusão da Estrada Rio-Bahia em 1949, o que veio facilitar bastante essa migração. Foi por esta rodovia que surgiu o “pau-de-arara”, transporte de migrantes feito por caminhões de carga, precariamente adaptados para o transporte de seres humanos. Os migrantes se espalharam por todo o Estado, mas a Região Metropolitana de São Paulo apresentou-se como a mais importante área de atração populacional do Estado, tendo as migrações contribuído com 56,6% do crescimento da população da região no período 1960-1970.

O aparecimento do complexo industrial da Região da Grande São Paulo deu-se sobretudo a partir da Segunda-Guerra Mundial, e de forma mais acentuada durante e após a década de 1950, quando o processo de substituição de importações surgiu como um dos fatores principais do desenvolvimento industrial da região.

Com o passar dos anos, a migração foi diminuindo. Nos anos 60, chegavam à cidade 128 mil migrantes por ano, a partir de 1980 a média anual caiu para 68 mil, segundo dados do Seade.

Por causa dessa miscigenação, hoje, passear por São Paulo é conhecer todas as tradições. O bairro do Brás, por exemplo, antigo reduto de italianos, é ocupado hoje em sua maioria por migrantes nordestinos. Já a cidade de Carapicuíba registra 70% de migrantes entre nortistas e nordestinos. No município de Embu, os gaúchos realizam festas com acordeão e rabeca e, claro, churrasco. Sem falar de toda a tradição do mobiliário rústico e artesanal.

A parte gastronômica é outro capítulo. Por causa da migração, é possível comer em São Paulo qualquer doce feito com a fruta mais exótica da Amazônia, um bom acarajé preparado por uma baiana autêntica, aquele doce de leite com queijo mineiro ou mesmo encontrar uma boa erva-mate para o preparo do chimarrão. Ou ainda comer leitão à pururuca, vaca atolada, galinha ao molho pardo, moquecas com jeitão capixaba, buchada de carneiro, costelinha de porco com canjiquinha e angu, arroz de cuxá do Maranhão, sopa de goma de mandioca com camarão seco do Belém do Pará ou ainda a combinação de tucupi e jambu. O difícil é enumerar todas as opções.

Seja fugindo da seca ou em busca do sonho de uma vida melhor e do melhor centro educacional do País, enfim, cada um que chegou em São Paulo tinha um motivo. Porém, todos adotaram essa terra como seu lar e essa terra, em contrapartida, recebeu não só complexos problemas urbanos mas, principalmente, ganhou a força do trabalho de uma gente com muita determinação e, acima de tudo, com a infinita riqueza de várias culturas.

Fonte:  sitio “Portal do Governo do Estado de São Paulo” – http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/gente-paulista_migrantes  –  acessado em 25.1.2016

Mais informações, visite:

Memorial do Imigrante
Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Moóca
CEP 03164-300São Paulo – SP
Fone: (11) 6693-0917

acesse o sitio, clicando aqui: Memorial do Imigrante

 


 

 

Baianos compõem maior parcela de migrantes em São Paulo
Estudo do IPEA mostrou que número de baianos é superior à soma de migrantes do Norte e mais seis estados

Redação iBahia (redacao@portalibahia.com.br)

A maior parte dos migrantes que vivem na região metropolitana de São Paulo é composta de baianos. É o que indica o Comunicado nº 115, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado esta semana. O estudo mostra que 11% dos migrantes desta região vieram da Bahia, índice maior que a soma dos migrantes da região Norte e dos estados do Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe (9%).

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Distribuição percentual da população de 30 a 60 anos de idade, residente na Região Metropolitana de São Paulo,
por naturalidade – Fonte: PNAD 2009/IBGE (Elaboração Ipea)

No quesito escolaridade, a pesquisa registrou que 59% dos baianos residentes em São Paulo não concluíram o ensino fundamental, outros 16,1% tem ensino médio incompleto, 21,6% não terminaram o ensino superior e apenas 3,1% conseguiram um diploma universitário.

Apesar da redução do número de trabalhadores em serviços domésticos na região metropolitana de Salvador, os migrantes baianos residentes na capital paulista e região metropolitana apresentam a maior proporção de empregados domésticos, com 21,1% trabalhando neste setor.

Os nascidos na Bahia integram junto com os demais nordestinos e nortistas a classe mais baixa, levando em consideração o rendimento mensal médio do trabalho em torno de mil reais, de acordo com estudo. Já em relação a renda domiciliar per capita, os baianos têm a segunda maior parcela que recebe até um salário mínimo (54,3%), atrás dos pernambucanos (57,2%).

O estudo do Ipea utilizou como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O comunicado teve o objetivo de traçar o perfil dos migrantes desta região com idade de 30 a 60, divididos por naturalidade, uma vez que a área apresenta o maior fluxo de migração de pessoas de todo o Brasil, além de estrangeiros.

Fonte:  sitio iBaha.com – http://www.ibahia.com/detalhe/noticia/baianos-compoem-a-maior-parcela-de-migrantes-em-sao-paulo/?cHash=2674f72b60045b58df4cd839b66f21d5  –  acessado em 25.1.2016

 

 

Os Revoltosos de 1926

Os Revoltosos
Autor: Adalberto Prates
Brumado – Bahia

Essa história era contada pela minha avó. Até hoje lembro de cada detalhe que ela me dizia.

Foi a passagem da Coluna Prestes pelos interiores da Bahia onde deixou marcas profundas. Decorridos 70 anos, ainda povoa as lembranças dos povos mais antigos, a minha avó nessa época tinha 12 anos e para ela a Coluna Prestes significava muitos homens barbudos, lutando contra o governo, montados a cavalo, armados, lenço vermelho no pescoço, carentes de banho e roupa limpa, com sotaque esquisito, dispostos a tudo, sempre escapulindo, quebrando o sossego de todos, levando as montarias que encontravam, carneando bois e cabras com incrível agilidade, para churrascos apressados, dando maiores prejuízos. Cidades abandonadas às pressas, gente escondendo seus pertences. Mulheres chorando, pedindo aos santos, crianças excitadas com reboliço, homens corajosos prometendo resistir, alguns recebendo dinheiro, armas e patentes do governo para combater. Essas grandes agitações foi entre 1925 e 1926.

Um dia no sítio da minha bisavó estavam todos trabalhando no engenho de cana-de-acúçar e ficaram sabendo que os revoltosos estavam por aquela região e que todos do povoado estavam fugindo, meu bisavô resolveu fugir também, só que para minha bisavó não era necessário sair de casa e o que ela poderia fazer é rezar para seus santos.

Mais tarde da noite ela começou ouvir sons de harmônica ( mais conhecida como sanfona) e muitos homens com bandeiras e todos de lenço vermelho no pescoço, minha avó gritou: são os revoltosos e eles estão lá no engenho, eu só lembro ela dizendo que seu pai ficou apavorado e começou a arrumar as coisas para fugir, só que os revoltosos avistaram as luzes da casa e foram lá e bateram a porta, minha avó entrou no baú e sua mãe foi abrir, os homens estavam com muita fome e pediu comida. Ela preparou a janta, mais veio falar com ela uma mulher vestida de homem dizendo que gostaria de passar a noite e que não iria fazer nada com eles e acabaram passando a noite por lá.

Logo cedo foram embora e de agradecimento lhe deu tecidos de seda e joias para minha bisavó. Mais não aconteceu a mesma coisa com seu irmão, pois ele fugiu levando sua família e seus pertences de valor, quando voltou para casa os revoltosos tinha posto fogo em tudo para eles não havia mais nada de valor.

Como diziam minha avó: ” eles eram heróis e vilões fascinam e metem medo, encantam uns, apavoram outros, provocando contorvérsias sem fim.”

Pessoas que viveram essa história
Nome da bisavó: Estefânia Rodrigues Alves (i.m)
Nome do bisavô: João Galvão Alves (i.m.)
Nome da pessoa que contava essa história Maria Rodrigues Alves de Azevedo minha avó.( i.m.)

Fonte e transcrição: blog “Recanto das Letras”, acessado em 31.12.2015  – link:  http://www.recantodasletras.com.br/artigos/4218306

“Os Revoltosos em Território Baiano”

“OS REVOLTOSOS EM TERRITÓRIO BAIANO”:
A COLUNA PRESTES NA CHAPADA DIAMANTINA (BA) EM 1926
Gissele Viana Carvalho
Professora da Universidade Salgado de Oliveira (Universo)
Mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense ( UFF)

trabalho apresentado no:
IV ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA – ANPUH-BA
HISTÓRIA: SUJEITOS, SABERES E PRÁTICAS.
29 de Julho a 1° de Agosto de 2008.
Vitória da Conquista – BA

“A entrada dos revoltosos em território baiano” foi o título da manchete do jornal Diário de Notícias do dia 18 de março de 1926. Os membros da Coluna Prestes ficaram conhecidos no nordeste como “revoltosos”, categoria instituída como real. Partindo dessa perpectiva, analisaremos quais os aparelhos de produção simbólica que legitimaram o termo
“revoltoso” como categoria social e quais os mecanismos de geração e estruturação de práticas e representações sociais sobre os tenentes rebeldes.
Na Bahia na década de 1920, diante do grande temor que assolava a população local diante da ameaça da passagem da Coluna Prestes em seu território, uma música tornou -se popular na região da Chapada Diamantina -BA,  servindo como exemplo do pavor  que permeava o imaginário dos habitantes dessa região:

“Tive notícia que a revolta vem,
Capando os homens e as mulheres também
Segunda-feira ou vou na estação
Saber notícia da revolução”  [1]

Em fevereiro de 1926 a Coluna entrou em território baiano e ao atravessar a Chapada Diamantina encontrou uma forte resistência dos coronéis, principalmente de Horácio de Matos e do seu “Batalhão Patriótico Lavras Diamantinas”, composto por 1.500 homens segundo Pang (1979, p. 187). O mesmo autor afirma que “no início de 1926, cerca de dez ‘batalhões patrióticos’ foram organizados pelos coronéis da Bahia”.
Esses “batalhões” foram financiados pelo Governo Federal com o objetivo
de combater os “revoltosos”, como era conhecida a Coluna Prestes no nordeste. Sobre eles escreveu Lima (1931, p. 380), secretário da Coluna: “nos agrediam, quase diariamente, de dentro das caatingas, nos desfiladeiros, por detrás das penedias, numa fúria satânica”

A Coluna Prestes entrou na Bahia com cerca de 1.200 homens, e viveu aí um dos piores momentos da sua marcha pelo Brasil. Na Bahia, a Coluna enfrentou hostilidades e perseguições, além de doenças e combates, sendo um deles com a população de Mucugê.

A Coluna, ao passar nas proximidade de Mucugê, prendeu Anatalino Medrado, filho do coronel Douca Medrado, chefe político …  (clique aqui para continuar lendo no original)

[1] Depoimento de um dos moradores da região concedido a autora. Mucugê,  em 1/7/1998.

 

Fonte e transcrição, acessado em 21.12.2015:   http://www.uesb.br/anpuhba/anais_eletronicos/Gissele%20Viana%20Carvalho.pdf