De Trem: Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG

“A Linha do Trem, um Caminho Esquecido” é um documentário produzido pela TVE-BA em 2001, com direção, roteiro e edição do repórter Robson do Val, que conta um pouco da história da ferrovia RFFSA (SR-7) – atual FCA –  a bordo de um trem cargueiro, partindo de Santo Amaro da Purificação/BA à Monte Azul/MG.
História e a beleza das ferrovias baianas neste pioneiro documentário dirigido pelo jornalista Robson do Val.

Em uma viagem de 40 horas, Robson do Val acompanha, dia e noite, da cabine de uma locomotiva U-20 da FCA – Ferrovia Centro Atlântica.

Esse é o trem de cargas que trafega diariamente,  passando por cidades como Brumado, Rio do Antonio, Caculé, Licínio de Almeida, Urandi, Espinosa e Monte Azul; seguindo para Montes Claros.

Participação do Caculeense: Antonio Coutinho !

Fonte: Video publicado na página “Verde Trem” no Youtube – https://youtu.be/5B213nnhneg – acessado em 22.1.2016

 

 

 

Anúncios

Viação Férrea Federal Leste Brasileiro

A VFFLB – Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (fundada em 1935) era formada por 5 ferrovias, construídas em épocas diferentes que foram unificadas:

– Estrada de Ferro Santo Amaro

– Estrado de Ferro Central da Bahia – EFCBH

– Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco

– Estada de Ferro Petrolina a Teresina

– Estrada de Ferro Centro-Oeste da Bahia

 

As seguintes estradas de ferro não faziam parte da VFFLB:

Estrada de Ferro de Ilhéus

Estrada de Ferro Bahia e Minas – EFBM

Estrada de Ferro de Nazareth – TRN

 

Em 1910 é fundada a Rede de Viação Férrea Federal da Bahia, para a ligação com a Estrada de Ferro Bahia e Minas – EFBM, e sua incorporação à rede ferroviária da Bahia.

Surge, então, a “Compagnie des Chemins de Fer Fédéraux de L’Est Bréslien” – CCFFEB – (empresa de capital belga e francês),  e previa o prolongamento de linhas e ramais desta rede, além da aquisição de estradas de ferro estaduais.

Em 1935, o governo de Getúlio Vargas passa todos os serviços e bens da empresa “Compagnie des Chemins de Fer Fédéraux de L’Est Bréslien” para o controle da União.  Surge a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro – VFFLB, cuja extensão era de 2.545 km,  tornando-se um dos principais sistemas ferroviários do Brasil.

Em 1938 a VFFLB foi a primeira empresa a utilizar as locomotivas diesel-elétricas.

As primeiras 3 locomotivas diesel-elétricas, da VFFLB, foram fabricadas pela English Electric  (a mesma fabricante do sistema de tração para a Redes Ferroviárias do Nordeste e da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí. Cada locomotiva tinha 450hp e numeração: 600, 601 e 602.

Em 1943/1944, a VFFLB adquiriu oito locomotivas Davenport (numeradas 603 a 610), porém todas foram sucateadas a partir de 1960.

Em 1957 a VFFLB foi encampada pela RFFSA,  transformando-a na 4ª Divisão Operacional Leste em 1969.

Em 1976 a Leste Brasileiro foi incorporada à Superintendência Regional 1 – SR 1 – com sede em Recife, PE.

Em 1979 é alterada para Superintendência Regional 7 – SR7 – cuja sede era em Salvador, BA.

Nos anos 1990, com as ideias e estudos de desestatização, foi incorporada à Malha Centro-Leste.

Em 1996  a empresa FCA – Ferrovia Centro-Atlântica assume a concessão.

 

A VFFLB possuia as seguintes linhas e ramais:

Linha-tronco (Salvador-Alagoinhas)
Linha do Sul (Mapele-Monte Azul)  –  passando por Caculé
Linha Norte (Alagoinhas-Propriá)
Linha Centro-Sul (Senhor do Bonfim-Iaçu)
Ramal de Itaité (Queimadinhas-Itaetê)
Ramal de Feira de Santana (Conceição da Feira-Feira de Santana)
Ramal de Catuiçara (Buranhém-Catuiçara)
Ramal de Capela (Murta-Capela)
Ramal de Campo Formoso (Itinga-Campo Formoso)

 

Fontes:
– Livro “Ferrovia Centro-Atlântica – Uma Ferrovia e suas Raízes” – José Emílio de Castro Horta Buzelin e João Bosco Setti – 2001 – Sociedade de Pesquisa para Memória do Trem.

– diversos artigos na internet

A Logomarca RFFSA

As ferrovias do mundo inteiro possuem seus próprios símbolos, quer sejam expostos em cada unidade do material rodante, como os Carros, Vagões e Locomotivas.

logomarcarffsasimbolosteagallferroviah

Além dessa característica “móvel”, os “imóveis também são contemplados, como nas edificações patrimoniais, nos uniformes os mais diversificados de seus vários colaboradores em diferentes funções, estejam esses sobre os trilhos ou nas repartiçõese ainda:

Impressos diversos como ofícios, envelopes e demais consumíveis em papel, além das assinaturas de campanhas publicitárias, anúncios institucionais e quando participam colaborativamente nos apoios culturais.

u20crffsavcfo

O símbolo (logomarca) da R.F.F.S.A., acrônimo para Rede Ferroviária Federal S/A, surgiu no ano de 1972, por ocasião de um concurso público realizado especificamente para a escolha de sua futura marca.

Um detalhe importante e até então inédito, é que a autarquia restringiu a participação aos estudantes regularmente matriculados em instituições de ensino, dos níveis Secundário e Superior.

A empresa pública pretendia com isto, como rezava seu Edital, “despertar a juventude estudiosa para a importância de uma empresa tão vinculada à economia e à segurança da nação”, além de “estimular a criatividade dos jovens iniciantes no design, deles colhendo concreta colaboração, para perdurar, no tempo, como exemplo válido às futuras gerações”.

A iniciativa da RFFSA foi bem acolhida pela imprensa e à época, despertou interesse de 300 estudantes que enviaram suas concepções gráficas.

Isso possibilitou à Comissão Julgadora de então (integrada por Antonio F. Porto Sobrinho, Mario Ritter Nunes e Armando Britto), selecionarem entre os trabalhos de alto nível técnico apresentado, eleger aquela que daria o real significado como ícone ferroviário.

Uma identidade que fosse capaz de agradar a visão, assegurar a visibilidade com sua consequente leitura, evocar elementos físicos da empresa, além de facilidades de reprodução, ampliação e redução da marca, incluindo baixo custo e economia, por conta dessas reproduções em suportes diversificados.

Dentre os 300 projetos de design gráfico inscritos, foram pré-selecionados 11 concepções originais, que mais evidenciavam criatividade para os fins aos quais se destinavam, tendo sido selecionados 3 concorrentes premiados, sendo:
.
3º Lugar … Arthur Carlos Messina
.
2º Lugar … Joaquim de Salles Redig de Campos
.
1º Lugar … Leiko Hana
.

Messina, é hoje um arquiteto e dos bons, atuando São Paulo (SP), através do CADES – Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

Redig é pioneiro em design no Brasil, ingressando na ESDI (UERJ) em 1968 e atuando ao lado de Aloísio Magalhâes por mais de 18 anos. Hoje, atua como professor da PUC-RJ desde 1975 e tem o seu estúdio, REDIG ASSOCIADOS.

Leiko Hana, à época uma aluna, assim como seus colegas concorrentes, se tornaria em breve uma arquiteta pela Faculdade de Arquitetura Mackenzie, em São Paulo (SP).

Segundo seu memorial Descritivo, o trabalho partiu de um elemento comum e predominante no tráfego ferroviário, ou seja, a figuração de um A.M.V. (desvio) definindo uma variante, constituindo-se num visual dos mais recorrentes nas vias férreas, além de transmitir noções de desejável dinamismo, à primeira vista.

logomarcarffsasimbolosteagallferroviaa

A construção gráfica proposta pela arquiteta é executada, como convinha àquele momento histórico do design, a partir duma trama ortogonal de 9 módulos (9×9).

logomarcarffsasimbolosteagallferroviab

Inicia-se traçando as barras horizontais (“trilhos”), formando dois retângulos sobrepostos (módulos 0+1H e 2+3H).

logomarcarffsasimbolosteagallferroviac

Define-se um eixo pela intersecção dos módulos 8 Vertical, com o 9 Horizontal.

logomarcarffsasimbolosteagallferroviad

Determinando esse ponto (8V+9H) como eixo, traçam-se 4 semi-círculos (raios) até o módulo 5 Horizontal (5H).

logomarcarffsasimbolosteagallferroviae

Todo o traçado (recomendava a arquiteta), deverá ser feito com traço fino, para que as medidas gerais do símbolo e dos “espaços vazios”, sejam idênticos.

logomarcarffsasimbolosteagallferroviaf

Esse símbolo (hoje, LOGOMARCA), se completa com o acrônimo RFFSA* sem os pontos, possibilitando a identificação de todo um sistema ferroviário continental, que viria à se tornar uma das maiores ferrovias contínuas do mundo, onde a logomarca auxiliaria o seu progresso econômico, material e de imagem memorial, perante o grande público.

logomarcarffsasimbolosteagallferroviag

Não fosse o sucateamento, com mais de 30 anos de falta de investimentos, sem dúvidas, essa logomarca da RFFSA sera um dos ícones mais precisos de sua particular semiótica, no entanto, ao menos já entrou definitivamente para a galeria da história fascinante do EXCELENTE nível que o design brasileiro atinge.
CURIOSIDADE:
A dupla de irmãos gaúchos Kleiton e Kledir “homenageou” a Rede Ferroviária Federal citando a estatal na música “Maria Fumaça”, composição gravada em 1980 para o Festival de Música da TV Tupi (em um dos últimos momentos da histórica emissora, falida ainda naquele ano), que se tornou grande sucesso durante o evento. A música mais tarde foi incluída no LP de estréia, que leva o nome da dupla, lançado também em 1980 (₢ Wikipedia).
.
___________________
*PS: A sigla é pronunciada como “ÉRRI-ÉFI-ÉFI-ÉCIÁ”, mas, para muitos de seus funcionários, a hoje extinta RFFSA também era apelidada carinhosamente pelos ferroviários como “REFÉSA”.

.
.Postado originalmente no Blog Logomarcas por Christian Steagall-Condé em 21.4.2009 às 22:10.

 

Fonte e transcrição do Blog Logomarcas – http://thesignstudio.blogspot.com.br/2009/04/rffsa.html – acessado em 22.2.2016

A Viagem Histórica da Caravana Ver de Trem para a ECO 92

O Projeto Ver de Trem / Movimento Trem de Ferro e o Grupo Ecológico Germen uniram-se para a concretização da histórica viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro para a ECO 92 (Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento) num trabalho de revitalização dos trens de passageiros nas ferrovias brasileiras.

Da cidade de Salvador já não partem mais trens para outras cidades. A malha ferroviária brasileira, apesar de ligar o país de norte ao sul, está hoje praticamente disponível apenas para transporte de cargas.

Em Outubro de 1991 lançamos uma campanha que visava uma viagem de trem de Salvador ao Rio de Janeiro, com objetivo de conduzir parte da delegação baiana para a Rio 92, por entender ser o trem o meio de transporte mais econômico, ecológico e seguro.

Apesar do descrédito inicial, a ideia tomou corpo e hoje é fato consumado: um grupo de 95 pessoas,entre ambientalistas, ferroviários, especialistas, imprensa e artistas chegaram ao Rio de Janeiro numa histórica viagem, com características inéditas e de amplo efeito social. Nas devidas proporções,muitas ONGs brasileiras tem superado as expectativas, mas nem por isso seus temas estão sendo evidenciados pelos meios de comunicação do país. Um agravamento ainda maior ocorre quando se trata de questões nascidas nas regiões menos favorecidas desse Brasil continental, onde o norte e o nordeste apesar de expoentes na problemática ambiental brasileira, permanecem à margem das decisões sobre os seus próprios destinos.

Gostaríamos de lembrar que a Região Nordeste também promoveu uma chegada especial a Rio 92, conforme registrado oficialmente no FORUM GLOBAL, que infelizmente não se fez presente a nossa chegada no Rio de Janeiro, o que certamente seria importante para fortalecer o conteúdo embutido no projeto que trouxe a delegação num trem da Rede Ferroviária Federal (extinta RFFSA) desde a nossa cidade de Salvador, de onde saímos no dia 23 de Maio de 1992, chegando ao Rio de Janeiro no dia 29.

Cidades baianas como Santo Amaro, Cachoeira, Iaçu, Cruz das Almas, Brumado, Caculé, Rio do Antônio e Urandi, entre outras, pararam para ver o trem passar levando suas mensagens e colhendo informações e manifestações.
Foram momentos marcantes, onde as populações puderam manifestar suas expectativas com relação à Rio 92 e pedir o retorno dos trens de passageiros,totalmente inseridos na cultura,história e economia dessas cidades.  Dezenas de outras paradas, previstas ou não, aconteceram forçosamente, diante de grandes manifestações populares, caracterizando uma grande onda multiplicadora da nossa ação.

Documentos oficiais foram deixados em nossas mãos pelas prefeituras e entidades civis das cidades, além de faixas, cartazes, produções estudantis e da comunidade em geral. Bandas de músicas,palcos e palanques foram preparados para recepcionar o VER DE TREM nesta viagem histórica e de resgate de tantos anseios populares. Entre os encontros mais marcantes citamos o ocorrido na cidade de Brumado, onde se confirmou a presença de cerca de 30 mil pessoas nos aguardando em praça publica, o que caracterizou,segundo a imprensa local,a maior manifestação popular da história de Brumado, que na epóca tinha 51 mil habitantes.

O Projeto passou também por muitas cidades mineiras onde também ficou marcado por grande receptividade popular. Com atraso de 2 horas e meia chegamos zero hora e 40 minutos na cidade de Corinto (única mineira onde pernoitamos), onde havia uma concentração de cerca de 5 mil pessoas na estação.

Diante dos acontecimentos nessa viagem,cresceu muito a nossa responsabilidade e hoje nos sentimos porta-vozes de milhares de pessoas das cidades ao longo da linha-férrea desde a estação da Calçada em Salvador, até a estação da Central do Brasil no Rio de Janeiro, numa grande ação de popularização da Rio 92.

Pessoas sofridas e esquecidas desse nosso interior do Brasil. Muitas sem perspectivas de vida, com seus rostos tristes e marcados pela fome e vida miserável, mas ao mesmo tempo com muita emoção demonstraram muita esperança e depositaram essa esperança nos ecologistas que passaram no VER DE TREM.   Eles, que tem pouco, não se furtaram em nos suprir de alimentos, bebidas e artesanatos locais. Tudo isso sinalizou para nós uma grande mensagem e uma lição que levaremos para o resto de nossas vidas.

Na chegada ao Rio o cantor e compositor Gilberto Gil nos honrou com sua recepção, participando brilhantemente de um show com os artistas que acompanharam o VER DE TREM e também discursou chamando a atenção sobre a importãncia da revitalização do transporte ferroviário e mostrando-se indignado com o seu sucateamento disse :
“Nossas ferrovias foram jogadas no lixo ! “.
Um outro projeto baiano -“Escola Itinerante”- também do forum de ONGs da Bahia chegou de ônibus 2 dias antes com 16 crianças e nos recepcionou na Central do Brasil, complementando as ações afetuosas ao longo de 3.000 km de ferrovias.




 

Fonte:  Blog Projeto Ver de Trem – http://projetoverdetrem.blogspot.com.br/p/eco-92-viagem-historica.html – acessado em 22.1.2016